IA pode moldar a economia global, mas também gera riscos de recessão em 2026

A inteligência artificial (IA) está moldando o futuro da economia e das relações de trabalho, mas também levanta preocupações sobre um possível colapso de mercado. A velocidade com que os investimentos estão sendo direcionados para a IA supera a capacidade do setor de gerar lucros sustentáveis, criando um cenário de risco que pode levar a uma recessão.
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Recentemente, o colapso de um fundo de hedge focado em IA exemplificou esses desafios que permeiam esse boom tecnológico.
Max Gokhman, chefe de soluções em IA e ativos digitais da gestora de investimentos Franklin Templeton, comentou à CNN sobre a situação. “Acredito absolutamente que a tecnologia é transformadora. Mas isso não significa que você não passará por uma exuberância irracional em algum momento”, destacou ele.
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O momento atual é decisivo para determinar se o crescimento da IA vai se estabilizar ou se enfrentará uma queda abrupta semelhante a outras bolhas do passado.
Investimentos massivos no setor
Apesar das incertezas, grandes instituições financeiras continuam investindo pesadamente na IA. A Nvidia, líder no fornecimento de infraestrutura para IA e avaliada em US 5 trilhões, conseguiu recentemente garantir US 500 bilhões em financiamento junto a empresas como Apollo, Black Rock e Goldman Sachs para atender à alta demanda por seus chips avançados.
O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou que o processamento de IA está se tornando uma “classe investível”, evidenciando a confiança persistente dos investidores em um futuro dominado pela tecnologia. No entanto, o caminho para os investimentos na IA não é simples devido à rápida evolução do setor, à competição acirrada entre modelos abertos e fechados e aos desafios na cadeia de suprimentos.
Além disso, as necessidades energéticas elevadas para expandir a infraestrutura necessária à IA geram preocupações adicionais sobre a sustentabilidade desse crescimento.
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Desafios do financiamento circular
Um aspecto arriscado do crescimento da IA é o chamado financiamento circular, onde uma empresa fornece capital a outra em troca da compra de seus produtos. Esse sistema pode criar ciclos positivos durante períodos de expansão, mas também pode resultar em bolhas especulativas quando as expectativas superam a realidade econômica.
Gokhman alertou: “O financiamento circular vai terminar mal”.
Ele ainda acredita no potencial da IA, mas pondera que os níveis atuais de alavancagem não são alarmantes — pelo menos por enquanto. Contudo, o recente colapso do fundo hedge Situational Awareness ilustra como essa dinâmica pode ser volátil. O fundo foi forçado a liquidar ativos após sofrer perdas significativas devido ao uso excessivo de alavancagem.
A matemática por trás dos lucros da IA
Torsten Slok, economista – chefe da Apollo Global Management, advertiu que a matemática do setor ainda apresenta desafios. Os lucros das empresas líderes em IA são impulsionados principalmente por investidores e não necessariamente refletem uma demanda sólida entre os consumidores finais.
Ele questionou: “O retorno sobre investimento aparecerá rápido o suficiente para sustentar os gastos?”.
Analisando as margens de lucro no SP 500, Slok não encontrou evidências claras de que a IA esteja contribuindo para aumentar a lucratividade nos setores tradicionais como saúde ou energia. Por outro lado, Jeetu Patel, presidente da Cisco, defendeu que há uma diferença fundamental entre o atual boom da IA e a bolha das pontocom: hoje existe uma demanda real por tecnologias advindas da inteligência artificial.
A dependência crescente da economia dos EUA
A economia americana tornou – se cada vez mais dependente dos investimentos em IA e seus resultados financeiros impactam diretamente milhões de cidadãos. O crescimento expressivo das ações de empresas como Nvidia e Alphabet eleva o patrimônio líquido dos americanos e contribui para melhorar fundos de aposentadoria e contas bancárias.
David Rosenberg, economista respeitado, observou que “sem o boom da IA, provavelmente estaríamos em uma recessão”. Isso reforça a ideia de que o timing é crucial durante períodos expansivos — como já disse John Maynard Keynes: “O mercado pode permanecer irracional por mais tempo do que você pode permanecer solvente”.
A importância do timing nos investimentos
A história mostra que até investidores experientes podem errar no timing do mercado. Julian Robertson identificou corretamente a bolha das pontocom no final dos anos 1990; contudo, suas apostas contra ações tecnológicas falharam porque essas continuaram subindo antes do colapso.
Essa lição ressalta que apenas reconhecer uma bolha não é suficiente para garantir sucesso financeiro.
Gokhman concluiu: “Só porque você acha que as coisas estão superaquecidas não significa que é hora de sair”. Para ele, muitas vezes os melhores retornos acontecem quando parece que a festa está prestes a terminar.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



