Com −89,2 °C em 21 de julho de 1983, Vostok segue como o lugar mais frio já medido no planeta

Uma estação científica russa na Antártida tem o recorde da menor temperatura do ar já medida diretamente na Terra. Os termômetros da Estação Vostok registraram −89,2 °C em 21 de julho de 1983, em pleno inverno antártico.
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A base, fundada em 1957, fica a 3.488 metros de altitude, no interior do continente. Os dados sobre o local estão disponíveis no site oficial do Instituto de Pesquisa do Ártico e da Antártida (AARI), órgão que coordena os estudos russos na região.
Por que a Estação Vostok registra temperaturas tão baixas?
A Estação Vostok está sobre o planalto de gelo antártico, a cerca de 1.350 quilômetros da Estação Progress, outra instalação russa. A média do ar chega a −35,9 °C no verão e cai para algo em torno de −66,7 °C no inverno.
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A rotina também é marcada por longos períodos sem sol. A noite polar vai de 23 de abril a 21 de agosto, enquanto o dia polar se estende de 21 de outubro a 21 de fevereiro. No inverno, o mau tempo pode bloquear o acesso por meses, e os pesquisadores passam a depender do que já está guardado na própria base.
Como chegam suprimentos e pessoas à base
O abastecimento sai principalmente de comboios de tratores que partem da Estação Progress. Essas operações acontecem no verão antártico, com duas travessias anuais pelo interior do continente.
Pesquisadores e trabalhadores sazonais também podem chegar de avião, inclusive no modelo Basler BT-67, adaptação do DC-3. Ainda assim, o clima limita os dias em que aeronaves e veículos conseguem pousar ou avançar até a estação. A altitude pesa no ambiente: a pressão atmosférica média anual é de cerca de 624,2 hectopascais (hPa), e a umidade relativa média gira em torno de 71%.
Lago Vostok fica escondido sob quase 4 km de gelo
Sob uma camada de gelo de quase 4 quilômetros está o Lago Vostok, tido como o maior lago subglacial da Antártida. Ele ficou isolado da superfície por dezenas de milhões de anos, e é esse isolamento que atrai os cientistas, interessados em entender ambientes extremos e a história climática do planeta.
Em fevereiro de 2012, uma perfuração chegou ao lago a 3.769,3 metros de profundidade, e os pesquisadores recolheram amostras de gelo e de água congelada. Uma nova perfuração atingiu o reservatório em janeiro de 2014. Depois disso, o projeto de perfuração profunda foi suspenso, enquanto a equipe buscava métodos ambientalmente seguros para seguir com as investigações.
Isolamento na base ajuda a preparar missões à Lua
Vostok também serve para observar como o isolamento extremo afeta o corpo humano. As equipes passam meses confinadas, com espaço reduzido, rotina repetitiva e pouca possibilidade de receber ajuda externa, situação parecida com a de missões espaciais de longa duração.
Em um comunicado sobre os 65 anos da estação, o AARI afirma que as condições de Vostok são relevantes para estudos ligados a uma futura base habitada na Lua. Entre os experimentos estão avaliações da visão, do sistema cardiovascular e do estresse, além da capacidade de executar tarefas complexas após longos períodos isolados.
A base também estuda radiação, embora o ambiente antártico não reproduza a radiação encontrada na superfície lunar.
Editoria:
Redação Variedades
A Redação Variedades reúne a cobertura do Clique Fatos sobre horóscopo, comportamento e curiosidades. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



