Há 66 milhões de anos, impacto de asteroide pode ter dado impulso genético às formigas

Um novo estudo sugere que o asteroide que extinguiu os dinossauros, há cerca de 66 milhões de anos, pode ter contribuído de forma indireta para a expansão das formigas pelo planeta. Os resultados foram divulgados pela Universidade de Münster, na Alemanha, e publicados em setembro na revista científica Science Advances.
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A pesquisa aponta que mudanças genéticas coincidiram com a diversificação desses insetos depois do impacto. Segundo a equipe, fragmentos móveis de DNA, os chamados elementos transponíveis ou “genes saltadores”, podem ter ajudado na evolução das formigas, inclusive em mecanismos ligados à comunicação por sinais químicos.
Impacto ambiental abriu espaço para novos grupos de insetos
A colisão de há cerca de 66 milhões de anos causou uma extinção em massa e alterou profundamente os ecossistemas da Terra. Essas transformações criaram oportunidades para que diversos grupos animais se expandissem, e as formigas estiveram entre eles.
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Os pesquisadores verificaram que várias linhagens de formigas viveram fases de intensa atividade dos elementos transponíveis no início do Paleógeno, logo após a extinção dos dinossauros não aviários. Esses períodos antecederam a diversificação de grupos importantes da família.
Para Lukas Schrader, pesquisador da Universidade de Münster e líder do estudo, esses elementos formam um possível elo genético entre as mudanças ambientais da época e a posterior expansão dos insetos. Ele ressalta, porém, que os dados mostram uma associação evolutiva, e não uma prova de que o asteroide tenha causado diretamente as alterações no DNA.
O que são os genes saltadores
Trata-se de sequências de DNA que mudam de posição dentro do genoma e, em certos casos, geram cópias de si mesmas. Por muito tempo, foram vistos sobretudo como parasitas genéticos, já que se multiplicam sem trazer vantagens claras para o organismo, e às vezes ainda provocam efeitos nocivos.
Pesquisas mais recentes, no entanto, indicam que esses fragmentos podem participar da evolução ao alterar a organização e o funcionamento do material genético. Nas análises, linhagens de formigas com mais desses elementos também apresentavam maior variedade de espécies.
DNA ligado à percepção de odores nas formigas
O estudo encontrou relação entre a atividade dos elementos transponíveis e a ampliação de famílias de genes ligadas à percepção de odores. Esses genes ajudam a formar receptores olfativos, estruturas que permitem às formigas identificar substâncias químicas no ambiente.
O olfato é decisivo para a vida em colônia. Por meio de sinais químicos, as formigas reconhecem companheiros do mesmo grupo, orientam deslocamentos e coordenam tarefas coletivas. Os resultados sugerem que os elementos transponíveis podem ter contribuído para ampliar esses sistemas sensoriais.
Análise cobriu 163 espécies ao longo de 100 milhões de anos
A equipe internacional examinou os genomas de 163 espécies de formigas, de 12 das 16 subfamílias atualmente existentes. Com essa comparação, foi possível reconstruir como a atividade dos elementos transponíveis mudou ao longo de aproximadamente 100 milhões de anos.
Hoje são conhecidas mais de 15 mil espécies de formigas em diferentes regiões do planeta. Para os autores, os dados indicam que elementos do DNA antes tratados como simples parasitas genéticos podem ter contribuído para essa diversidade evolutiva.
Editoria:
Redação Variedades
A Redação Variedades reúne a cobertura do Clique Fatos sobre horóscopo, comportamento e curiosidades. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



