Especialistas revelam quais dicas populares para dormir melhor realmente funcionam

Médicos analisam óleo de lavanda e chá; benefício vem do ritual, não do produto, e melatonina não trata insônia.

23/09/2026 23:41

3 min

Saiba quais dos rituais recomendados na internet são realmente efetivos para dormir
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Muita gente já ouviu algum parente ou influenciador digital sugerir truques para dormir melhor. Mas será que esses conselhos realmente funcionam?

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O neurologista Álvaro Pentagna, do Hospital Vila Nova Star, da Rede DOr, e o médico Vitor Cavenaghi, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (IP – USP), avaliaram desde óleo de lavanda no travesseiro até o consumo de melatonina. As respostas mostram que, em muitos casos, o benefício vem mais do ritual do que do produto em si.

Óleo de lavanda e meditação: o que diz a ciência

Pentagna afirma que não há comprovação sólida de que óleos essenciais ou perfumes no travesseiro façam alguém dormirmelhor. No entanto, ele reconhece que essas estratégias podem ajudar a criar rituais que promovem relaxamento. Cavenaghi concorda: “Isso tem valor porque o cérebro aprende a associar aquele cheiro ao momento de desacelerar.”

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O médico do IP – USP alerta, porém, que é preciso garantir que ninguém que compartilhe a cama tenha alergia à lavanda. “O risco é baixo, mas não inexistente. Alergia, dor de cabeça e irritação em quem tem asma ou rinite”, lista. Ele ainda recomenda não ingerir o óleo essencial e evitar o uso de difusores na presença de animais e crianças pequenas.

Já as práticas de meditação e mindfulness antes de dormir costumam ser benéficas. Segundo Cavenaghi, a meditação mindfulness “melhora a qualidade do sono” e é “especialmente benéfica para quem tem perfil mais ansioso e mente mais acelerada”. Para quem não está acostumado, a dica é começar a meditar ainda fora da cama, para reduzir a frustração na hora de tentar pegar no sono.

Chá, melatonina e o que realmente funciona

Sobre os chás para dormir, os médicos dizem que o efeito vem mais do ritual do que das plantas. “O princípio ativo do chá provavelmente contribui menos do que o ritual em si”, afirma Vitor Cavenaghi. Mas é preciso atenção: algumas ervas têm efeito diurético e podem aumentar a vontade de ir ao banheiro durante a noite.

Outras, como a passiflora, devem ser evitadas por gestantes. “Fique atento para não usar chás cafeinados, como o mate e aqueles feitos com Camellia sinensis, como o chá preto e o chá verde”, acrescenta Álvaro Pentagna.

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Em relação à melatonina, o alerta dos especialistas é claro. “A melatonina não tem indicação para tratamento da insônia“, afirma o neurologista. Cavenaghi complementa: “Não é um sedativo e não é tratamento de rotina para insônia. Tem indicações específicas e, usada por conta própria, pode adiar a investigação de causas tratáveis.” Apesar de ser vendida em gomas e cápsulas sem prescrição, por ser um hormônio, seu uso exige acompanhamento médico.

Para quem sofre com insônia crônica — classificada por ao menos três episódios por semana ao longo de três meses ou mais —, o caminho indicado é procurar um clínico, psiquiatra ou neurologista. “O mais importante é ser avaliado por um médico que olhe o quadro como um todo, porque a insônia crônica raramente tem uma causa só”, explica Cavenaghi. “Ela costuma andar junto com ansiedade, depressão, uso de cafeína, álcool ou medicações, dor, outras doenças ou distúrbios específicos do sono.”

Para casos passageiros, que costumam se normalizar em alguns dias ou semanas, os médicos sugerem estratégias caseiras: acordar sempre no mesmo horário, expor – se à luz do sol pela manhã, limitar a cafeína a partir da tarde, ir para a cama só quando estiver com sono e evitar cochilos de mais de 30 minutos ou após as 15h.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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