Especialistas alertam para aumento de 38% nas denúncias de violência contra idosos em 2025

A crescente violência silenciosa contra idosos revela a urgência de proteger sua autonomia e direitos, destacando a necessidade de conscientização e informação.

05/07/2026 13:42

4 min

População idosa no Brasil dobrou em duas décadas
População idosa no Brasil dobrou em duas décadas

A violência contra pessoas idosas é frequentemente associada a agressões físicas ou abandono, mas especialistas alertam para uma realidade mais sutil e comum: a violência silenciosa que ocorre dentro de casa, muitas vezes perpetrada por aqueles que deveriam proteger.

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Essa forma de abuso se manifesta quando filhos controlam o dinheiro dos pais sem consentimento, pressionam para assinar documentos, tomam decisões sobre tratamentos médicos sem consulta e afastam os idosos do convívio social.

Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos revelam que, apenas nos primeiros meses de 2025, houve um aumento de 38% nas denúncias de violência contra idosos em comparação ao mesmo período do ano anterior. Os casos mais recorrentes incluem negligência, abandono, violência psicológica e exploração financeira no ambiente familiar.

Desafios da Autonomia na Idade Avançada

Bárbara Perpétuo, vice – presidente da Supera, uma empresa educacional focada em estimulação cognitiva, destaca que o problema começa com a associação entre envelhecimento e perda de capacidade. “Quando falamos sobre violência contra a pessoa idosa, não estamos tratando apenas da violência física.

Existe também a violência patrimonial e a violação da autonomia”, afirma. Ela ressalta que informação de qualidade é crucial para a proteção dos idosos.

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Segundo Bárbara, à medida que os idosos envelhecem, pequenas decisões passam a ser tomadas por terceiros, levando à gradual perda da autonomia. “Preservar a autonomia é parte essencial do cuidado. O envelhecimento não deve ser confundido com incapacidade”, enfatiza.

A advogada Alexsandra Manoel Garcia complementa essa visão ao afirmar que um erro comum é pensar que atingir certa idade implica automaticamente na perda da capacidade de gerir a própria vida. “Não existe na legislação brasileira uma idade que torne alguém incapaz de decidir sobre seu patrimônio ou sua vida”, explica.

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A limitação da capacidade civil só pode ocorrer por meio de decisão judicial após avaliação técnica.

Modos Invisíveis de Violência

A violência patrimonial tem crescido significativamente no Brasil. Muitas vezes, familiares utilizam aposentadorias ou realizam empréstimos consignados sem o conhecimento do idoso. Em algumas situações, filhos mudam – se para a casa dos pais e restringem espaços, afastando outros familiares e transformando o proprietário em alguém sem voz em sua própria residência.

Além disso, há casos em que idosos são pressionados a vender imóveis ou assinar procurações sem compreender as implicações legais dessas ações. Alexsandra alerta: “Quando alguém utiliza instrumentos legais para retirar a autonomia do idoso sem necessidade, estamos diante de uma forma de violência.”

A violência emocional também merece atenção. Ela pode não envolver gritos ou agressões físicas, mas manifesta – se quando o idoso é desqualificado ou impedido de expressar sua vontade. “Esse comportamento gera consequências profundas na autoestima e saúde cognitiva do idoso”, afirma Alexsandra.

Importância da Preservação da Autonomia

Para garantir um envelhecimento saudável, Bárbara Perpétuo defende que a participação ativa nas decisões é fundamental. Quanto mais os idosos exercitam suas capacidades cognitivas e mantêm relações sociais, maiores são as chances de preservarem sua qualidade de vida por mais tempo.

Ela observa ainda que alterações naturais na memória não devem ser confundidas com doenças neurodegenerativas. “A estimulação cognitiva ajuda a preservar funções importantes durante o envelhecimento”, conclui.

A confusão entre envelhecimento natural e incapacidade abre espaço para abusos. Quando familiares deixam de ouvir os idosos simplesmente por causa da idade, o direito à autonomia é substituído pelo controle.

Sinais de Alerta e Medidas Protetivas

Identificar a violência invisível requer atenção às mudanças comportamentais dos idosos. Sinais como dificuldade em compreender documentos assinados e decisões tomadas sem consulta são indicativos importantes. Além disso, o isolamento social e alterações inesperadas na administração do patrimônio são motivos para preocupação.

Alexsandra reforça que proteger um idoso não significa tomar todas as decisões por ele. É preciso criar condições para que ele possa decidir com segurança e respeito. A curatela deve ser aplicada apenas quando houver efetiva perda da capacidade discernente.

A prevenção envolve medidas simples como nunca assinar documentos sem plena compreensão e buscar orientação jurídica antes de realizar qualquer transação significativa envolvendo bens patrimoniais.

Caminhos para Combater a Violência Contra Idosos

Quando há suspeitas de violência contra um idoso, familiares e profissionais devem agir rapidamente. As denúncias podem ser feitas através do Disque 100 ou órgãos como os Conselhos Municipais da Pessoa Idosa e o Ministério Público.

Bárbara enfatiza que mudar nossa percepção sobre o envelhecimento é crucial: “O objetivo deve ser viver com autonomia e qualidade.” Em um país onde a população está envelhecendo rapidamente, especialistas defendem uma abordagem integrada envolvendo saúde, educação e direitos humanos para lidar com essa questão complexa.

Proteger idosos vai além de evitar agressões físicas; trata – se também de garantir sua autonomia nas decisões cotidianas e reconhecê – los como protagonistas em suas vidas. Essa mudança cultural é essencial para combater formas sutis de abuso que frequentemente passam despercebidas.

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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