Eneva pode assumir projetos da EPP se a Aneel confirmar a inabilitação dos consórcios
Lino Cançado, CEO da Eneva, disse que a companhia está bem posicionada para ocupar o espaço de projetos da EPP (Evolution Power Partners) no leilão de reserva de capacidade, caso a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) mantenha a inabilitação das usinas.
Ele afirmou, porém, que os empreendimentos previstos para 2028 podem atrasar.
O prazo para executar os projetos caiu de dois anos e meio para menos de dois anos. Cançado citou dificuldades para obter equipamentos, contratar empresas e conseguir licenças.
Projetos da EPP somam cerca de 1,7 GW
A CPL (Comissão Permanente de Leilões) inabilitou os consórcios liderados pela EPP por considerar que eles não comprovaram a qualificação econômico-financeira exigida no edital. A empresa contesta a decisão e tenta revertê-la.
Se a diretoria da Aneel confirmar a exclusão, outros empreendimentos poderão ser convocados, respeitada a ordem de classificação do leilão. Projetos da Eneva e da Global Participações em Energia estão entre os que podem ser chamados.
“Certamente os projetos sofrerão atrasos e aí vai ter uma discussão de quanto a Aneel vai dar de prazo adicional para aquelas empresas que sejam habilitadas nessa hipótese para elas poderem se organizar e entregar os projetos”, afirmou Cançado.
Eneva diz ter acesso a equipamentos e fornecedores
Na avaliação do executivo, as entregas previstas para 2029 teriam prazo suficiente para uma empresa já posicionada no mercado de equipamentos. Para 2028, a execução também seria possível, mas com dificuldades adicionais e possibilidade de atraso.
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“Nós estamos posicionados no mercado de equipamento, temos condições tranquilamente de entregar 2029 e 2028 nós também temos condições”, disse. Cançado citou a capacidade financeira da Eneva e afirmou que a empresa é a maior cliente da GE Vernova na América do Sul e também compra da Siemens Energy.
O CEO acrescentou que a companhia tem projetos desenvolvidos internamente que poderiam se enquadrar na contratação. A Âmbar, braço de energia do grupo JF, dos irmãos Batista, também demonstrou interesse: a empresa assinou uma opção de compra sobre projetos da EPP selecionados no leilão, conforme noticiou com exclusividade a CNN.
Cançado aponta risco para oferta de potência em 2028
O executivo alertou que a demora na definição da contratação pode afetar a oferta de potência no sistema elétrico. O risco, segundo ele, existe se a capacidade dos projetos inabilitados não for reposta ou se os empreendimentos convocados não forem entregues no prazo.
“Já existe um buraco de potência no sistema para 2028 que já é conhecido. Então, se isso não se resolver logo e se não tiver um empreendedor com capacidade e com confiabilidade que vai entregar, eu diria que o próximo governo, seja quem for, já vai entrar com esse problema para resolver”, afirmou.
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