Eneva avalia campos maduros venezuelanos e vê gás queimado como fonte de eletricidade

A entrada no mercado venezuelano ainda não foi decidida, e a prioridade da empresa segue nos projetos no Brasil e nos leilões de capacidade.

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Lino Cançado, CEO da Eneva.

A Eneva avalia oportunidades em campos terrestres de petróleo e gás na Venezuela, sobretudo em ativos maduros que foram desativados por falta de investimentos. A companhia também considera fornecer energia a outras produtoras no país, mas ainda não decidiu se investirá no mercado venezuelano.

O CEO da Eneva, Lino Cançado, afirmou em entrevista ao Alta Voltagem, da CNN, que a prioridade continua sendo executar projetos no Brasil e se preparar para os leilões de capacidade. Uma eventual entrada na Venezuela teria de caber nas possibilidades de investimento da empresa, sem mudanças radicais no plano de negócios.

Eneva mira campos terrestres maduros

“A gente está olhando o onshore da Venezuela, certamente campos mais maduros que foram, digamos, desativados devido à falta de investimento”, disse Cançado. A empresa também vê, em menor proporção, oportunidades em campos greenfield, ainda não desenvolvidos.

O executivo afirmou que há ativos de alta qualidade, mas que qualquer projeto precisa ser compatível com a capacidade de investimento da Eneva. Ele descartou operações offshore e no lago Maracaibo: a companhia não atua no segmento marítimo e, segundo ele, as operações no lago exigem maior complexidade logística e equipamentos flutuantes.

Cançado disse que a Eneva poderia aproveitar na Venezuela competências desenvolvidas no Brasil ao longo dos últimos 12 anos. A plataforma integrada reúne exploração e produção de petróleo e gás, geração elétrica e liquefação de gás natural, além da importação e da atuação no mercado internacional de GNL.

Gás queimado em flares pode gerar eletricidade

Uma possível atuação nos campos venezuelanos também poderia abrir espaço para a geração de energia destinada a outras produtoras de petróleo e gás. Cançado estimou que o país queime cerca de 50 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia em flares, sem aproveitamento comercial, e apontou a possibilidade de usar o combustível para produzir eletricidade.

“Então existe uma oportunidade de você vir a ser um gerador, mas não para o sistema venezuelano, mas para gerar energia até para os outros produtores de upstream que estão se instalando no país”, afirmou.

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Segundo o executivo, os produtores terão de garantir o próprio abastecimento de energia e poderão contratar fornecedores privados. Tanto a entrada nos campos quanto os projetos de geração seguem em avaliação, sem definição de investimentos.

Halliburton firmou memorando com a Eneva

O interesse de empresas no setor de petróleo e gás venezuelano aumentou depois que os Estados Unidos invadiram a Venezuela e prenderam o ditador Nicolás Maduro. Em setembro, a Halliburton anunciou a assinatura de um Memorando de Entendimentos com a Eneva para apoiar o desenvolvimento de projetos no país.

Apesar das conversas e das oportunidades consideradas, Cançado reiterou que o foco dos negócios da companhia continua sendo o Brasil. A Eneva ainda não tomou decisão de investimento na Venezuela.

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