Enem 2026: trocar o sono por mais horas de estudo pode derrubar seu desempenho na prova

Com provas em 8 e 15 de novembro, especialistas ouvidos pela CNN Brasil recomendam priorizar revisão e questões, já que o sono consolida o que foi aprendido.

4 min

Tentar compensar estudos nas semanas que antecedem o Enem pode ser prejudicial para a saúde mental

A poucas semanas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), marcado para 8 e 15 de novembro, abrir mão do sono para recuperar o conteúdo atrasado pode atrapalhar o desempenho. O alerta é de especialistas em educação e saúde mental ouvidos pela CNN Brasil.

Segundo eles, a tentativa de compensar em pouco tempo o que não foi estudado ao longo do ano compromete o bem-estar e a própria capacidade de aprender. O que começou como estratégia pode virar agonia.

Excesso de estudo prejudica memória e concentração

Gabrieli Ribeiro, coordenadora psicossocial do Elite Rede de Ensino, explica que estudar demais nas semanas finais produz o efeito oposto ao desejado. Na ânsia de aprender mais, o aluno passa a minar as condições mentais que permitem o aprendizado.

“Quando o descanso é substituído por mais horas de estudo, o sono fica prejudicado e a rotina perde espaço para a cobrança, podendo surgir dificuldade de concentração, falhas na memória, irritabilidade, ansiedade e a sensação de que nunca se sabe o suficiente”, afirma.

De acordo com a psicóloga, o desgaste emocional leva o estudante a enxergar as horas de sono como tempo perdido, o que reforça a sensação de despreparo. Dormir, porém, é o que permite ao cérebro consolidar as informações e se recuperar do esforço.

“Na reta final, estudar melhor é mais importante do que simplesmente estudar mais. O descanso não é uma recompensa para quem terminou tudo, porque nessa fase sempre haverá algo a revisar, mas é parte da própria preparação”, diz Ribeiro.

Trocas que reduzem a urgência na reta final

Para a especialista, tentar recuperar todo o conteúdo atrasado amplia os sintomas de ansiedade. A saída é fazer escolhas mais inteligentes em vez de correr atrás de tudo.

Leia também

Ela recomenda priorizar os assuntos mais relevantes e revisar o que já foi estudado. Resolver questões e entender os próprios erros também ajuda, assim como poupar energia mental.

“Existe uma diferença importante entre intensificar o estudo e entrar em desespero para recuperar o tempo. A reta final não é o momento de tentar reconstruir toda a preparação, mas de transformar o conhecimento disponível em desempenho. O estudante não precisa chegar à prova sabendo tudo; precisa chegar em condições de acessar, com clareza, aquilo que sabe”, afirma.

Lazer também faz parte da preparação. Ribeiro defende que descansar e se divertir é necessário. Quem abre mão do lazer por achar que está perdendo tempo pode entrar em um estado de privação muito prejudicial à saúde.

Conversar com amigos, praticar atividade física, assistir a algo de que gosta ou simplesmente descansar sem sentimento de culpa são atitudes indicadas. “Uma preparação eficiente não é aquela que ocupa cada minuto do dia, mas aquela que permite chegar à prova com conhecimento, energia e estabilidade emocional. Afinal, o estudante não precisa suspender a própria vida para se preparar para uma prova que faz parte dela”, diz.

Como evitar a ansiedade e a autossabotagem antes do Enem?

O primeiro passo é não deixar o medo guiar as escolhas. A orientação é tirar o foco do resultado, que não depende só do candidato, e voltá-lo para o que pode ser feito agora: manter uma rotina realista, respeitar o descanso, cuidar do sono e reconhecer os avanços, mesmo pequenos.

Pensamentos como “não sei o suficiente” ou “vou fracassar” são expressões da ansiedade, não verdades absolutas. Exercícios de respiração podem ajudar o estudante a recuperar a consciência e a autoconfiança abalada pelas inseguranças.

Um ambiente familiar tranquilo também oferece segurança emocional num período de cobranças e incertezas. “A família pode contribuir de forma muito significativa ao demonstrar interesse pelo bem-estar do jovem, respeitar seus momentos de descanso, reconhecer sua dedicação e transmitir confiança sem minimizar seus medos”, declara Ribeiro.

“O estudante precisa sentir que sua família torce pelo seu resultado, mas que seu valor não depende dele. Quando existe essa segurança, o Enem deixa de ocupar o lugar de uma ameaça à própria identidade e passa a ser compreendido como uma etapa importante da vida, mas não como uma definição de todo o seu futuro”, completa.

Simulados para quem não fechou o cronograma

Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovação da Arco Educação, aconselha pausa e relaxamento, sobretudo para quem conseguiu cumprir o cronograma de estudos. Nesse caso, ele sugere apenas releituras e revisões curtas e pontuais.

Já quem ainda tem matéria para aprender deve apostar em simulados e na repetição de provas em que o desempenho ficou abaixo do esperado. “O acúmulo de cansaço e nervosismo pode, de fato, implicar em mais erros. Para isso, vale muito o treinamento”, diz.

A Redação Saúde e Educação reúne a cobertura do Clique Fatos sobre saúde, bem-estar e educação. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.