Empresas brasileiras na SIAL Paris negociam frango à UE antes da retomada das vendas

Compradores europeus consultam a ABPA sobre prazos de entrega, enquanto a votação para reincluir o Brasil na lista de fornecedores é esperada para novembro.

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Presidente da ABPA, Ricardo Santin, durante a SIAL Paris.

Empresas brasileiras negociam na SIAL (Salão Internacional da Alimentação) Paris 2026 já de olho na possível volta das exportações de carne de frango para a UE (União Europeia). O setor aguarda a conclusão da análise regulatória que pode recolocar o Brasil entre os países autorizados a vender ao bloco.

Segundo Ricardo Santin, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), compradores europeus procuram empresas brasileiras para saber quando poderão receber novamente o produto. Na feira, realizada em Paris, ele disse à CNN Brasil que os importadores perguntam “quando vamos conseguir voltar logo”.

Votação sobre a reinclusão é esperada para novembro

As empresas já tratam de prazos e condições para eventuais entregas. Santin relatou que os exportadores dizem aos compradores: “Olha, se voltar, eu te entrego em X dias, porque eu tenho a produção já feita, pode contar comigo”.

Uma reunião do SCoPAFF (Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações) da Comissão Europeia está prevista para terça-feira (20) e quarta-feira (21), em Bruxelas. O comitê deve examinar o relatório da auditoria feita no Brasil sobre os controles sanitários das cadeias de carne de aves e mel, mas não deve tomar a decisão final sobre a retomada.

O governo brasileiro e o setor produtivo esperam que a votação para reincluir o país na lista de fornecedores autorizados ocorra em novembro. Antes disso, o relatório precisa ser apresentado aos representantes dos Estados-membros, e as etapas administrativas devem ser cumpridas.

Se o cronograma previsto for mantido, as exportações poderão voltar em dezembro.

A auditoria europeia, realizada no Brasil no fim de agosto, avaliou positivamente os controles brasileiros. O documento não identificou impedimentos técnicos ligados às regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos, mas a liberação ainda depende da conclusão do procedimento regulatório.

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Setor manteve produção adaptada às exigências europeias

Santini afirmou que as empresas brasileiras preservaram os sistemas de segregação e controle exigidos pelo mercado europeu, mesmo durante a interrupção das vendas. “A partir do momento em que a Europa derrube o obstáculo de poder vender para a União Europeia, nós podemos vender imediatamente”, disse.

De acordo com o presidente da ABPA, as empresas já operaram mais de um ciclo de produção seguindo o modelo de fiscalização adotado a partir de julho, conforme as exigências das autoridades europeias. A suspensão das exportações de carne de aves e mel para a UE começou em 3 de setembro, em meio às regras do bloco sobre antimicrobianos.

A auditoria da Comissão Europeia examinou os controles oficiais do Brasil e reconheceu que o sistema nacional pode oferecer as garantias exigidas. O parecer favorável permitiu avançar para a etapa final, mas não substitui a decisão formal sobre a volta do país à lista de fornecedores autorizados.

SIAL Paris 2026 aproxima empresas de compradores

A possibilidade de retomar as vendas para a UE também está entre os assuntos das negociações comerciais na SIAL Paris 2026. A ABPA participa do evento em parceria com a Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), com espaços para apresentar proteínas animais brasileiras e aproximar empresas de compradores internacionais.

O espaço organizado pela associação reúne 25 agroindústrias dos setores de suínos e aves, além de companhias que montaram estandes próprios. A estrutura inclui empresas de avicultura e suinocultura e oferece degustações de produtos brasileiros a visitantes de diferentes mercados.

A segunda-feira (19) era um dos dias mais aguardados da feira, por concentrar a chegada de grande número de europeus. Santin afirmou que o evento ajuda a manter o contato com importadores da Europa e de outras regiões e a ampliar negócios em mercados já atendidos pelo Brasil.

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