Empresa chinesa compra 68 mil toneladas de canola australiana após anos de embargo

Compradores privados chineses retomam negócios com a Austrália após restrições impostas em 2020.

Um campo com uma plantação de canola pode ser visto próximo a uma estrada de terra localizada nos arredores da cidade de Mallala 22 de agosto de 2018. REUTERS/David Gray

Uma processadora privada chinesa comprou 68 mil toneladas métricas de canola australiana da nova safra, com embarque previsto para março. A transação foi fechada depois que uma carga semelhante, adquirida por outra empresa, chegou no início de setembro.

Segundo fontes do setor, esses são os primeiros negócios do tipo desde que o comércio foi interrompido, em 2020.

O valor do contrato da nova safra ficou em cerca de US 730 por tonelada, incluindo custo e frete, de acordo com uma das fontes. Um trader baseado na Ásia afirmou que o comércio da safra anterior foi dominado pela estatal chinesa Cofco, mas agora há interesse do setor privado na canola australiana recém – colhida.

Retomada gradual após anos de bloqueio

Os dois negócios marcam a volta de compradores privados chineses ao mercado australiano de canola, que ficou praticamente fechado desde 2020. Na época, Pequim impôs restrições fitossanitárias que, na prática, excluíram o produto australiano do país.

As medidas tinham como objetivo impedir a propagação de doenças fúngicas nas plantas.

A carga que chegou no início de setembro é da safra anterior. Já a colheita da nova safra na Austrália começa em outubro e se estende até dezembro. O Ministério da Agricultura da Austrália não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as negociações.

Pequim começou a reabrir o comércio de canola com Canberra por volta de meados de 2025. Inicialmente, as compras foram experimentais e realizadas exclusivamente pela empresa estatal Cofco. O movimento ocorreu em meio a uma disputa comercial entre a China e o Canadá, um dos maiores produtores mundiais do grão.

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Disputa comercial e ampliação do acesso

Até julho deste ano, as usinas privadas de processamento chinesas permaneciam excluídas do mercado australiano. Foi então que Pequim ampliou o acesso, permitindo que empresas privadas também fizessem negócios com a canola da Austrália. Antes disso, apenas a Cofco realizava as compras, em volumes limitados.

O Canadá é o maior exportador mundial de canola, e a Austrália ocupa a segunda posição. A canola é processada para produzir farelo, usado como ingrediente em rações animais, e óleo, amplamente utilizado na culinária. A retomada das importações chinesas, mesmo que gradual, representa um alívio para os produtores australianos, que viram o mercado chinês se fechar por mais de cinco anos.

O interesse do setor privado chinês na nova safra indica que as barreiras fitossanitárias estão sendo superadas. O trader baseado na Ásia destacou que, embora a Cofco tenha dominado as compras anteriores, agora há espaço para outras empresas. O preço de US 730 por tonelada, com frete incluso, mostra que a canola australiana volta a ser competitiva no mercado chinês.