Elizabeth Holmes cumpre 11 anos e 3 meses por fraude contra investidores da Theranos
Elizabeth Holmes, fundadora da extinta startup de saúde Theranos, cumpre pena de 11 anos e 3 meses em uma penitenciária federal de segurança mínima em Bryan, no Texas. A transferência para o Centro de Transição Austin, em Del Valle, Texas, está prevista para agosto de 2027.
Com a redução de dois anos por bom comportamento, a libertação definitiva de Holmes está prevista para fevereiro de 2030. Na prisão, ela trabalha como assistente de reintegração social e assistente jurídica e recebe 31 centavos de dólar por hora.
Holmes foi condenada por fraude contra investidores
Holmes começou a cumprir a sentença em maio de 2023, depois de um júri na Califórnia considerá-la culpada, em janeiro de 2022, por quatro acusações de fraude eletrônica e conspiração contra investidores. Ela e Ramesh “Sunny” Balwani, ex-executivo da Theranos, captaram mais de US$ 700 milhões com declarações falsas sobre as finanças da empresa e o desempenho de sua tecnologia.
Fundada por Holmes em 2003, após ela abandonar a Universidade de Stanford, a Theranos prometia mudar a medicina com o dispositivo “Edison“. A empresa afirmava que o aparelho realizava centenas de testes médicos com algumas gotas de sangue.
Uma investigação do The Wall Street Journal publicada em 2015 revelou que a tecnologia não funcionava: os resultados fornecidos a pacientes eram imprecisos, e a empresa usava máquinas de terceiros para fazer exames. Em 2018, após o fim de parcerias e apurações da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), Holmes foi indiciada.
Theranos chegou a ser avaliada em US$ 9 bilhões
A promessa de exames baratos e menos invasivos levou a Theranos a uma avaliação de US$ 9 bilhões em 2014. Naquele período, Holmes tinha patrimônio estimado em US$ 4,5 bilhões.
Entre os investidores que acreditaram nas alegações falsas de Holmes e Balwani estavam o magnata da mídia Rupert Murdoch, a ex-secretária de Educação Betsy DeVos e o cofundador da Oracle, Larry Ellison. Depois que o escândalo veio à tona, Holmes deixou o cargo de CEO em 2018.
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Durante o processo, cujo julgamento criminal foi adiado até o final de 2021, Holmes deu à luz seu primeiro filho, William, em julho daquele ano. O júri a absolveu das acusações relacionadas a fraudar pacientes, mas a condenou por fraude contra investidores, o que levou à pena de prisão e ao pagamento de indenizações.
Recursos foram negados e documentário registrou rotina
Em novembro de 2022, Holmes recebeu sentença de 135 meses de prisão federal e três anos de liberdade condicional supervisionada. Em um recurso de 132 páginas, alegou que não tinha intenção de enganar os investidores e pediu para ser liberada enquanto a Justiça analisava o caso. Nesse período, teve sua segunda filha, Invicta.
A Justiça rejeitou o recurso e o pedido de liberdade. Nos 34 dias anteriores à prisão, Holmes permitiu que os cineastas Nathan Fielder e Lance Oppenheim registrassem sua rotina. O material resultou no documentário You Can See Everything, que estreou nos cinemas em 16 de outubro nos Estados Unidos e no Canadá.
A trajetória do escândalo também foi retratada no livro Bad Blood e na minissérie The Dropout. Na penitenciária de Bryan, onde cumpre pena por crimes não violentos, Holmes orienta outras detentas em suas funções de assistente de reintegração social e assistente jurídica.
Transferência para centro de reinserção está prevista para 2027
A transferência aprovada para o Centro de Transição Austin, em Del Valle, Texas, deve ocorrer em agosto de 2027. O local funciona como um centro residencial de reinserção supervisionado.
Nessa etapa final sob custódia federal, Holmes poderá trabalhar fora do centro e receber visitas familiares sem pernoite. A família mora perto da penitenciária e faz visitas semanais.
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