Eleitorado com 60 anos ou mais cresce 74% desde 2010 e ganha peso nas urnas

Grupo já soma 37,5 milhões de eleitores, quase um quarto do total, enquanto o número de jovens de 16 a 24 anos caiu.

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Comprometimento. Quatro anos atrás, 85% dos eleitores entre 60 e 69 anos foram votar. A média geral foi de 79,1% | Foto: TSE/TRE-SP, Ricardo Stuckert/PR e iStockphoto

Aos 72 anos aposentada Maria Elena Ferreira afirma não ter mais obrigação legal para votar em outubro; o voto é facultativo após os 70 anos.

Essa situação reflete um movimento crescente no eleitorado brasileiro: cidadãos com idade avançada estão ganhando peso significativo nas urnas, demonstrando engajamento cívico que vai além da mera obrigatoriedade do pleito.

O crescimento e impacto dos votos prateados

Os dados apontam uma mudança demográfica crucial. Segundo o TSE, havia 20,8 milhões de eleitores com 60 anos ou mais em 2010; hoje são 37,5 milhões, alta de 74%.

Esse salto é muito superior à expansão geral registrada no corpo eleitoral nacional que cresceu somente 17%.

Hoje, esse grupo representa quase um quarto dos 158,7 milhões de eleitores do país. Entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, o contingente caiu 22%, de 24,7 milhões para 19,2 milhões, segundo a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados.

Engajamento cívico versus demandas políticas

Apesar do voto ser facultativo após completar setenta anos — como é o caso da servidora pública aposentada Carmem Araújo —, ambas as septuagenárias citadas mostram entusiasmo pela votação. Para Maria Elena Ferreira, votar significa “expressar minha posição política e ajudar a eleger quem eu penso que pode melhor contribuir para o desenvolvimento de nosso país”.

“Durante muitos anos, o ato de votar me foi apresentado como uma obrigação”, conta Carmem; no entanto, ela ressalta: “no fundo, [é] um direito… Abster-se desse ato cívico é se omitir”. Esse senso de dever reforça sua importância na democracia.

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Esse potencial não vem apenas da quantidade. A cientista política Luciana Santana aponta que os mais velhos têm reduzido a abstenção em comparação com grupos menores do eleitorado geral. Entre os eleitores de 60 a 69 anos, faixa em que o voto é obrigatório, o comparecimento chegou perto de 85% em 2022; no grupo acima de 70 anos, em que o voto é facultativo, a abstenção caiu em relação aos 63,6% de 2014.

Pesquisas recentes confirmam esse interesse: levantamento Datafolha divulgado dia 25 de agosto mostrou que 56% dos brasileiros afirmaram ter intenção de votar neste ano mesmo sem a obrigatoriedade do pleito. Esse percentual sobe significativamente nos eleitores com mais de sessenta anos e cai entre os membros da geração Z.

Projetos governamentais focados no público sênior

O aumento desse peso demográfico força candidatos, partidos políticos como o PL60+ (liderado por Lincoln Portela) e especialistas em saúde pública — incluindo geriatras —, a direcionarem propostas específicas para essa parcela crescente da população que exige atenção especial à qualidade de vida.

    No programa para um eventual novo mandato, o presidente Lula dividiu as políticas para idosos em dois pilares. Um é focado na promoção da autonomia e autoestima do indivíduo; outro está dedicado ao atendimento domiciliar para aqueles com maior dependência ou dificuldade de locomoção.

    Segundo Alexandre Padilha, coordenador do plano, haverá uma reorganização do SUS em cinco áreas: prevenção; ampliação da assistência farmacêutica; atenção aos acamados; hospitais comunitários para o público idoso; e formação e qualificação de cuidadores.

    O desafio demográfico brasileiro

    Além das propostas políticas diretas, especialistas apontam que os desafios são multifacetados. José Eustáquio destaca como essa população tem grande bagagem cultural devido às transformações históricas vivenciadas — desde períodos ditatoriais até crises econômicas —, caracterizando um “voto mais qualificado”.

    “Esse público precisa se manifestar,” completa ele: “e cobrar diretamente dos candidatos as melhores propostas para a parcela da sociedade no topo desta pirâmide etária”. O geriatra Marco Cintra reforça ainda o foco na necessidade de combater preconceitos e garantir sistemas públicos próximos à pessoa idosa.

    O desafio, portanto, não é apenas conquistar votos. É responder profundamente ao perfil demográfico do país em constante mudança; garantindo que políticas públicas sejam inclusivas nas questões como mobilidade urbana ou assistência social digital contra fraudes financeiras — um problema crescente já registrado pelo Disque 100 com mais de 72 mil vítimas só em 2024.

    Já a campanha de Flávio Bolsonaro tem propostas para o público idoso coordenadas pelo PL60+, liderado por Lincoln Portela.

    Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.

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