Eleições nos EUA: entenda a diferença entre estados vermelhos, azuis e roxos

Estados-pêndulo como Flórida e Pensilvânia podem definir o resultado das eleições de meio de mandato em novembro.

Mapa eleitoral dos Estados Unidos mostra red, blue and purple states

Os Estados Unidos se preparam para as eleições de meio de mandato em 3 de novembro, e com elas volta a discussão sobre o mapa político do país. As cores azul, vermelho e roxo, associadas aos estados, carregam um peso simbólico que vai muito além da estética nos gráficos da TV.

O azul representa os democratas, partido que costuma vencer em estados com visões mais progressistas. Vermont lidera a lista como o estado mais democrata, seguido por Maryland e Massachusetts. Já o vermelho é a cor dos republicanos, que dominam em regiões conservadoras como Wyoming, Virgínia Ocidental e Idaho.

O papel decisivo dos estados – pêndulo

Existe ainda uma terceira categoria que não vota de forma fixa em nenhum dos dois partidos: os chamados estados roxos, ou purple states. Eles são particularmente decisivos porque os resultados variam a cada eleição. É nesses lugares que os candidatos viajam mais e investem mais dinheiro, na tentativa de convencer eleitores indecisos.

Flórida, Nevada, Pensilvânia, Wisconsin e New Hampshire são exemplos clássicos de estados – pêndulo. Em 2020, seis estados que votaram no democrata Joe Biden para presidente mudaram de lado e preferiram o republicano em 2024, segundo o USA Facts, uma iniciativa apartidária sem fins lucrativos que reúne dados oficiais do governo americano.

Entre os exemplos de estados roxos estão também Carolina do Norte e Arizona. A maioria dos estados azuis se concentra no Nordeste e na Costa Oeste, onde ficam metrópoles como Nova York e Los Angeles. Já os vermelhos são maioria no Sul e nas Grandes Planícies, caso do Texas e da Louisiana.

A origem das cores nos mapas eleitorais

Pode parecer que o vermelho para republicanos e o azul para democratas sempre existiu, mas a identidade visual dos partidos é recente. A padronização foi feita pela imprensa americana no fim do século XX e só se consolidou de vez no ano 2000, durante a cobertura da disputa presidencial entre George W.

Bush e Al Gore.

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Antes disso, cada veículo escolhia as cores e símbolos que usaria para identificar os candidatos. A eleição de 2000, no entanto, foi uma das mais acirradas da história, sendo decidida apenas após recontagens na Flórida — o que fez o resultado demorar um mês para sair.

O processo levou as emissoras de TV a perceberem a necessidade de padronizar o significado das cores nos mapas eleitorais para não confundir o público.

O movimento de padronização já vinha ganhando força nos anos 80. Emissoras como CBS e ABC começaram a rotular os republicanos de vermelho e os democratas de azul. A CNN seguiu o exemplo em 1992, e a NBC, em 1996. Não há evidências de coordenação entre as redes, mas funcionários da CNN e o ex – vice – presidente executivo da NBC News, William Wheatley, afirmaram ter adotado o padrão dos concorrentes para evitar confusão entre os telespectadores.

Até então, não era raro ver os partidos representados com as cores invertidas.