Eleição do Senado em 2026 é chave para definir rumos da crise no STF, diz especialista
Especialista defende que Senado, legitimado pelas urnas, conduza mediação do conflito institucional.
O cientista político Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, fez uma análise dura sobre a crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao WW, ele afirmou que os ministros da corte têm agido com o que chamou de “roupagem jurídica”, mas, na prática, estariam tomando decisões baseadas no uso da força.
Para Barreto, o tribunal não tem condições de conduzir sozinho uma reforma ou reflexão sobre si mesmo.
“Ele não tem condições de fazer essa reflexão”, disse Barreto, referindo – se ao STF. Na visão do especialista, a corte estaria mais focada em realizar expurgos internos do que em um debate profundo sobre seu próprio papel e funcionamento. A declaração ocorre em meio a uma disputa pública de ofícios entre ministros do tribunal, que expôs fissuras na relação entre os magistrados.
O papel do Senado na crise
Para Leonardo Barreto, a saída para o atual impasse institucional passa necessariamente pela atuação dos outros Poderes. Ele defende que o Senado Federal, por ter sido “legitimado pelas urnas”, é o ator político mais indicado para conduzir uma eventual reforma ou mediação do conflito. “O Senado é que tem a caneta institucional, se a gente continuar no leito institucional”, afirmou.
O especialista destacou que o resultado das eleições será determinante para definir os rumos da crise. Ele não descartou, no entanto, a possibilidade de o país não permanecer no caminho institucional. A fala de Barreto sugere que, sem uma ação firme do Legislativo, o cenário de tensão pode se agravar, colocando em xeque a estabilidade democrática.
Atos de força com aparência jurídica
Barreto foi direto ao exemplificar o que considera um abuso de poder travestido de legalidade. Ele citou um episódio em que um deputado teria feito um pedido, à noite, para que uma ala do STF destituísse o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Isso tem roupa jurídica, mas é força”, declarou o especialista, criticando a forma como decisões políticas são revestidas de linguagem técnica para ganhar legitimidade.
Na avaliação de Barreto, a sociedade precisa recuperar a capacidade de nomear esses atos pelo que eles realmente são. “Isso é ato de força”, reforçou. Para ele, enquanto houver tolerância com manobras que misturam direito e coerção, o risco de erosão das instituições democráticas continuará alto.
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O diagnóstico do cientista político aponta para um cenário em que a forma jurídica serve como escudo para ações que, em essência, são arbitrárias.