El Niño forte pode afetar moradias vulneráveis no Brasil, alerta Habitat para a Humanidade

A ameaça de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses preocupa comunidades em áreas vulneráveis a desastres naturais. No Brasil, o fenômeno poderá causar efeitos diversos entre as regiões, com aumento das chuvas no Sul e diminuição nas precipitações do centro – norte, além de elevar as temperaturas no segundo semestre.
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O alerta vem da Habitat para a HumanidadeBrasil, que enfatiza a necessidade de adotar medidas de adaptação focadas na segurança das moradias. A situação se agrava à medida que o fenômeno ganha força no Oceano Pacífico.
Uma atualização da NOAA, divulgada em 13 de agosto, indica que há mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte durante o outono e inverno de 2026-27 no Hemisfério Norte. Além disso, existe uma chance de 69% de que esse evento seja histórico, superando os episódios anteriores.
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As temperaturas da superfície do mar no Pacífico Equatorial Leste já apresentaram anomalias superiores a 2°C em julho, enquanto o índice Niño 3.4 atingiu +1,4°C. A NOAA prevê que essa tendência de aquecimento continue nos próximos meses, com pico esperado entre outubro e dezembro.
Medidas necessárias para enfrentar desastres
A Habitat para a Humanidade Brasil argumenta que a preparação para eventos extremos deve incluir políticas habitacionais adequadas. A organização destaca a interconexão entre a crise climática e habitacional: desastres podem danificar ou destruir casas, enquanto a falta de moradias seguras força populações vulneráveis a ocupar áreas arriscadas.
Dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM) revelam que entre 2013 e 2022 mais de 2,1 milhões de unidades habitacionais foram danificadas e 107 mil foram destruídas por desastres socioambientais no país.
A entidade acredita que as respostas não devem ser reativas, surgindo apenas após enchentes ou incêndios. Entre as medidas propostas estão: melhorar a qualidade das habitações, reduzir vulnerabilidades construtivas, planejar coletivamente as comunidades e garantir acesso a informações e sistemas de alerta.
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Também é essencial promover articulação entre comunidades, poder público e organizações civis.
Projetos em resposta aos desastres
Além dos esforços preventivos, a Habitat para a Humanidade Brasil desenvolve um projeto voltado à recuperação emergencial de moradias após desastres. As ações incluem reparos em telhados, pisos e janelas, além da recuperação elétrica e sanitária.
A organização já atuou em locais como São Sebastião (SP), sul da Bahia e Rio Grande do Sul.
A entidade defende que essas iniciativas devem ser acompanhadas por políticas adaptativas para minimizar os danos antes da ocorrência dos eventos extremos. Esta discussão se torna ainda mais urgente diante da perspectiva de um El Niño possivelmente entre os mais intensos desde 1950.
Previsões climáticas e impactos regionais
As previsões climáticas para julho a setembro apontam chuvas acima da média no Sul do Brasil e precipitações abaixo do normal no centro – norte. Esse cenário pode resultar em temperaturas elevadas durante o segundo semestre, potencializando ondas de calor e incêndios florestais.
No Sul, o aumento das chuvas pode elevar os riscos de enchentes e deslizamentos, especialmente em áreas afetadas por inundações em 2024. Enquanto isso, o Sudeste poderá enfrentar períodos intensos de calor e irregularidade nas chuvas. Já nas regiões Norte, Nordeste e Centro – Oeste, temperaturas altas combinadas com baixa pluviosidade podem aumentar as chances de estiagem e queimadas.
As consequências desses fenômenos são ainda mais severas para famílias em habitações precárias ou sem acesso adequado aos serviços básicos. Embora os impactos variem conforme a região, eles não dependem exclusivamente da intensidade do fenômeno El Niño.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



