El Niño deve aumentar o risco de dengue no Brasil, alertam especialistas

A NOAA vê chance de mais de 90% de El Niño até o fim de 2026; calor e chuvas favorecem a proliferação do Aedes aegypti.

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Projeções do El Niño e aumento do risco de dengue

Um boletim da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA) indica que o El Niño deve se formar nos próximos meses e ganhar força até o final de 2026. Essa situação gera preocupações sobre a possível proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, especialmente durante períodos de chuvas intensas.

A inquietação se intensifica devido ao aumento das temperaturas e à ocorrência de temporais, que favorecem a multiplicação do mosquito, responsável também por doenças como zika e chikungunya. A médica infectologista e diretora da CCI (Controle de Infecções) do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo, Dra.

Rosana Richtmann ressalta a necessidade de vigilância constante da população. “Isso acelera o ciclo de vida do mosquito, enquanto as mudanças no padrão de chuvas favorecem o surgimento de criadouros. Portanto, a prevenção deve ser contínua, especialmente em ambientes internos, onde a maioria das transmissões ocorre”, explica a especialista.

Medidas de prevenção contra a dengue

Para se proteger contra a dengue e outras doenças transmitidas pelo mosquito, é fundamental utilizar inseticidas, repelentes e adotar práticas como eliminar água parada, manter caixas d’água fechadas e higienizar recipientes que acumulam água.

Letícia Pires, executiva de controle de pragas da empresa SBP, destaca que a atenção deve ser redobrada nos próximos meses: “A combinação entre conscientização, hábitos preventivos e o uso de soluções eficazes é crucial para mitigar os impactos da dengue no país.”

Entendendo o fenômeno El Niño

O fenômeno climático do El Niño está associado ao aquecimento irregular das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica tropical e impacta o clima de diversas regiões ao redor do mundo. Embora a climatologia reconheça o fenômeno há bastante tempo, ainda existem desafios para prever sua intensidade exata em cada ocorrência e seus efeitos regionais.

Conforme o boletim, as condições neutras ainda predominam no oceano, mas a transição para o El Niño é considerada provável entre maio e julho, com uma chance de 61%. Para o final de 2026, a probabilidade de ocorrência de algum nível do fenômeno ultrapassa 90%.

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Epidemia de dengue e suspensão da vacina

Em 2024, o Brasil enfrentou a pior epidemia de dengue de sua história, com mais de 6,5 milhões de casos prováveis e mais de 6 mil mortes. Como uma das principais medidas adotadas, o Ministério da Saúde (MS) incluiu o teste rápido para diagnóstico da dengue na tabela de procedimentos financiados pelo SUS.

Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou que ainda não há um prazo definido para a conclusão da investigação sobre a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, cuja aplicação foi suspensa temporariamente pelo governo federal.

Entre os 42 eventos adversos graves, três casos chamaram a atenção das autoridades sanitárias e estão sendo investigados de forma aprofundada. O Ministério da Saúde afirma que ainda não é possível concluir que os eventos foram causados pela vacina, ressaltando que a proximidade temporal entre a imunização e o surgimento dos sintomas não comprova uma relação de causa e efeito.

Atualização em 30/10/2026: o texto foi corrigido.

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