El Niño causa prejuízo de R$ 12,6 bilhões no Brasil e afeta 6,9 milhões de pessoas, diz CNM
O El Niño afetou a vida de 6,9 milhões de brasileiros entre 1º de julho e 30 de setembro deste ano. Ao todo, 1.035 municípios de todo o país foram atingidos, e 25 mortes foram registradas no período, segundo um estudo da CNM (Confederação Nacional de Municípios).
Os prejuízos somam R$ 12,6 bilhões, de acordo com o levantamento. Ondas de calor, secas, vendavais e inundações deixaram famílias sem energia e sem abastecimento de água, além de provocar a perda de bens e de casas inteiras. Segundo o relatório, 87,7 mil pessoas precisaram deixar suas casas, e 808 residências foram totalmente destruídas. Outras quase 50 mil ficaram danificadas.
Agricultura lidera as perdas econômicas
O setor mais atingido financeiramente foi a agricultura, justamente o mais vulnerável a mudanças no regime de chuvas e ao aumento das temperaturas. Só o campo registrou perda de R$ 5,7 bilhões, com quebra de safras, dificuldade para escoar a produção e colheitas inteiras perdidas.
Nas infraestruturas públicas e obras, o prejuízo foi de R$ 3,6 bilhões. Metade desse total concentra-se nas estruturas de abastecimento de água potável, o que deixou milhões de pessoas sem um recurso básico em diferentes partes do país.
Para Marijane Lisboa, membro da Rede Brasileira de Justiça Ambiental e doutora em Ciências Sociais, os danos não se resumem às contas. “A transformação lenta do nosso semiárido em árido e os incêndios que assolam a Floresta Amazônica nesse instante não podem ser traduzidas em reais imediatamente. Elas terão impactos duradouros na vida, na saúde e na alimentação, principalmente dos povos indígenas e dos pequenos agricultores”, afirma.
Lisboa também aponta que quem mais sofre é quem menos contribui para o problema. “Quem paga o maior pato das emissões de gases do efeito estufa produzidos pela exploração e consumo de petróleo, carvão e gás natural por grandes empresas e países são os mais desfavorecidos: povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, agricultores familiares e gente pobre das periferias de nossas grandes e ricas cidades”, diz.
Nordeste tem os maiores impactos regionais
A região que mais perdeu foi o Nordeste, com R$ 5,7 milhões em prejuízos, principalmente por causa do agravamento da seca e do período de estiagem. Ao todo, 319 municípios dos nove estados da região decretaram situação de emergência, e cerca de 1,4 milhão de pessoas foram afetadas.
O agronegócio nordestino teve R$ 3,4 bilhões em prejuízos.
Em seguida vem o Sudeste, com R$ 4 bilhões em perdas. A região sofreu com ventos, deslizamentos de terra, granizo e inundações, que danificaram 3.054 moradias e derrubaram árvores, além de interromper o fornecimento de energia. Minas Gerais foi o estado mais afetado, com quase 1 milhão de pessoas impactadas.
No Sul, as fortes chuvas e os tornados causaram R$ 1,8 bilhão em perdas e atingiram cerca de 2,2 milhões de pessoas. Já no Norte, a falta de chuvas prejudicou a navegação hídrica e afetou o regime de chuvas em todo o país. No Centro-Oeste, incêndios florestais provocados pelo clima seco comprometeram a produção e o dia a dia da população, com prejuízo de R$ 175 milhões.
CNM pede mais prevenção e El Niño deve durar até fevereiro do ano que vem
A Confederação avalia que os eventos climáticos extremos estão se tornando cada vez mais frequentes e que as medidas de prevenção e de resiliência climática precisam ser ampliadas.
O El Niño é causado pelo aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico equatorial. O fenômeno ocorre de forma cíclica, em intervalos de 2 a 7 anos, alternando-se com períodos neutros e com o La Niña, marcado pelo resfriamento acima da média das águas.
A OMM (Organização Meteorológica Mundial) alertou no último dia 21 que o El Niño atual deve atingir o pico ainda este ano, e que pode ser um fenômeno sem precedentes e um dos mais fortes da história. Já a ONU (Organização das Nações Unidas), por meio da mesma agência, prevê que o fenômeno dure até pelo menos fevereiro do ano que vem, mas que seus efeitos se estendam por muito mais tempo e se espalhem cada vez mais.
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