Dr. Roberto Kalil e especialistas discutem terapia de reposição hormonal em mulheres com risco

A terapia de reposição hormonal (TRH) para mulheres na menopausa deve ser administrada com cautela, especialmente entre aquelas com risco cardiovascular elevado. O assunto foi discutido no programa CNN Sinais Vitais, que ocorreu no último sábado, dia 11, onde o Dr.
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Roberto Kalil conversou com a cardiologista Salete Nacif e o ginecologista José Maria Soares Jr.
Os especialistas destacaram que mulheres consideradas de baixo risco cardiovascular, ou seja, aquelas que nunca enfrentaram infarto, derrame ou outros eventos cardíacos significativos, geralmente estão aptas a receber a reposição hormonal. A principal preocupação relacionada à TRH em pacientes com alto risco cardiovascular é a presença de aterosclerose, que envolve o acúmulo de gordura nas artérias.
Indicações específicas para mulheres em situação de risco
“Nessas situações, precisamos individualizar a indicação da terapia de reposição hormonal”, afirmou Salete Nacif. Ela ressaltou que para essas pacientes, o estrogênio “pode ser neutro ou até prejudicial para as artérias e vasos sanguíneos”.
Mulheres com condições como pressão alta, diabetes ou colesterol elevado mas que ainda não tiveram um evento cardíaco podem receber a terapia hormonal, contanto que estejam dentro da chamada “janela de oportunidade”, ou seja, tenham menos de 60 anos.
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Origem do receio sobre a terapia hormonal
Os especialistas também abordaram o medo em relação à terapia hormonal. Segundo Nacif, esse receio surgiu após um estudo realizado nos anos 2000, conhecido como WHI, que indicava um aumento do risco cardiovascular associado à reposição hormonal.
No entanto, Soares Jr. esclareceu que essa pesquisa foi predominantemente realizada com mulheres mais velhas.
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O ginecologista destacou a evolução da literatura médica ao longo das décadas sobre o tema, passando de uma recomendação de contraindicação absoluta para uma abordagem mais criteriosa e individualizada.
Ferramentas auxiliares na decisão clínica
Para ajudar na tomada de decisões clínicas, os especialistas mencionaram ferramentas disponíveis na prática médica. Entre elas estão o escore de cálcio das coronárias e o ultrassom das carótidas, que permite identificar placas de gordura nos vasos do pescoço. “Esses elementos podem ser utilizados na prática clínica para estratificar o risco dessa mulher”, explicou Nacif.
A cardiologista citou um estudo recente que mostrou como a inteligência artificial pode auxiliar nesse processo. O exame de mamografia — já realizado rotineiramente pelas mulheres — pode também servir para estratificar o risco cardíaco ao mapear a quantidade de calcificação nas artérias mamárias visíveis na imagem. “As mulheres fazem mamografia de rotina e não realizam exames cardíacos”, observou Nacif.
Soares Jr. reforçou que esse achado pode funcionar como um alerta: “Se você tem cálcio nas artérias mamárias, devemos avaliar melhor o coração.”
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



