José Maria Soares Jr. e Salete Nacif discutem terapia de reposição hormonal em programa da CNN

A terapia de reposição hormonal (TRH) durante a menopausa é um tema que requer atenção cuidadosa, tanto nas suas indicações quanto nas contraindicações. Em entrevista ao programa CNN Sinais Vitais, exibido no último sábado (11), o ginecologista José Maria Soares Jr. e a cardiologista Salete Nacif abordaram esses aspectos fundamentais.
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José Maria Soares Jr. destacou que há três situações principais em que a TRH com estrogênio é recomendada para mulheres entre 45 e 55 anos. Primeiro, a presença de sintomas vasomotores intensos, como ondas de calor, que impactam negativamente a qualidade de vida.
Em segundo lugar, as alterações genitais, que incluem a síndrome geniturinária da menopausa e a atrofia na região. Por último, mulheres que apresentam predisposição à perda de massa óssea também podem se beneficiar da terapia.
Contraindicações e alternativas
No entanto, nem todas as mulheres estão aptas a realizar esse tratamento. O ginecologista ressaltou que aquelas com histórico de câncer de mama, especialmente as com receptor de estrogênio positivo, devem evitar a terapia hormonal convencional. Para esses casos específicos, existem alternativas disponíveis.
Uma delas é o uso de psicotrópicos e uma substância aprovada pela Anvisa: o antagonista do receptor da Neurocinina 3. “Esse medicamento tem o mesmo efeito sobre ondas de calor, mas não atua na atrofia ou na massa óssea”, explicou Soares Jr.
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Além disso, mulheres que já passaram por infarto ou acidente vascular cerebral (AVC) não são candidatas à terapia hormonal. Situações envolvendo tromboembolismo exigem uma discussão aprofundada sobre outras formas de administração.
Avaliação cardiovascular na reposição hormonal
A cardiologista Salete Nacif acrescentou que dois fatores principais são levados em consideração ao avaliar o risco cardiovascular para a reposição hormonal. O primeiro é a chamada “janela de oportunidade”: mulheres que tiveram eventos relacionados à saúde há menos de 10 anos e têm menos de 60 anos estão dentro desse período considerado favorável para iniciar a terapia.
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O segundo fator envolve o perfil cardiovascular da paciente. “Se a mulher apresenta baixo risco cardiovascular — isto é, nunca teve infarto ou derrame — essa mulher está liberada para fazer a terapia”, afirmou Nacif. Nos casos em que já ocorreram eventos cardiovasculares significativos anteriormente, é necessário individualizar a indicação da TRH.
A especialista alertou ainda que, para essas pacientes com histórico prévio, a reposição pode ser neutra ou até prejudicial aos vasos sanguíneos, especialmente em casos onde há aterosclerose instalada. “Nessas situações, precisamos personalizar as indicações para a terapia de reposição hormonal”, concluiu Salete Nacif.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



