Dow Jones sobe 1,93% na abertura após Trump reconhecer vitória dos democratas

Com democratas projetados para controlar Câmara e Senado a partir de janeiro de 2027, investidores veem freio a mudanças bruscas.

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O presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Getty Images
O presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Getty Images

A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos mudou as apostas dos investidores na quarta-feira (4). Depois de uma reação negativa durante a madrugada, os contratos futuros das bolsas americanas se recuperaram quando Donald Trump (Partido Republicano) reconheceu o resultado.

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Na abertura do pregão em Nova York, o Dow Jones subiu 1,93%, o SP 500 avançou 1,14% e o Nasdaq Composite ganhou 1,07%. Esses percentuais se referem ao início da sessão. Para parte do mercado, a perspectiva de mais resistência à agenda presidencial trouxe alívio, mas também levantou dúvidas sobre setores que dependem de expansão de infraestrutura e de apoio político.

Do receio à recuperação nas bolsas

A primeira reação refletiu o temor de mudanças nas políticas que já orientavam decisões de investimento. Durante a apuração, os futuros do Nasdaq-100 chegaram a cair 2,4%, e os do SP 500 recuaram 1,4%.

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O reconhecimento da derrota por Trump reduziu o receio de uma contestação prolongada do resultado. Pelas projeções eleitorais, os democratas devem ter a maioria tanto na Câmara quanto no Senado, com os novos mandatos previstos para começar em janeiro de 2027.

“Em um primeiro momento, o mercado temeu que houvesse uma ruptura em relação ao que já estava precificado ou planejado sob a liderança de Trump”, afirma Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue. “Aquilo que antes era esperado em termos de expansão, projetos, concessões e investimentos pode agora enfrentar uma resistência maior, com o presidente perdendo a maioria no Congresso.”

Na visão de Benati, um Congresso sob controle da oposição coloca obstáculos à aprovação de novas leis e despesas. Para quem investe, isso tende a frear mudanças bruscas na política econômica. Ainda assim, o ganho não chega igual a todas as empresas, já que depende das medidas previstas para cada setor e da necessidade de votações no Legislativo.

Data centers entram na mira da revisão

Os centros de processamento de dados, conhecidos como data centers, estão entre os segmentos mais observados. Junto com eles, aparecem as empresas que fornecem eletricidade, equipamentos e infraestrutura para o funcionamento dessas instalações. A ampliação exige investimentos elevados e aumenta a demanda por energia.

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O debate político gira em torno de quem vai pagar essa conta, sobretudo quando são necessárias obras nas redes elétricas. O receio é que parte dos custos recaia sobre consumidores que não usam diretamente os serviços das empresas de tecnologia.

“Esse cenário pode representar uma desaceleração dos investimentos em data centers e em toda a infraestrutura necessária para sustentar essa expansão, algo que já poderia estar parcialmente precificado pelo mercado”, afirma Benati. A revisão apareceu nas ações de operadoras de data centers e de companhias ligadas ao fornecimento de energia para essas instalações.

O desempenho dos negócios ligados à inteligência artificial, porém, foi desigual. Empresas de tecnologia e fabricantes de chips tiveram movimentos diferentes. Uma fiscalização mais intensa também precisa ser separada de uma restrição já aprovada.

Segundo o estrategista, o resultado muda as perspectivas do setor, mas não decide sozinho o cancelamento de projetos privados.

Energia limpa sobe enquanto petróleo perde força

No setor de energia, a leitura do resultado se mistura ao comportamento do petróleo. A queda da commodity pode reduzir a receita esperada das produtoras, enquanto as empresas de fontes renováveis reagem às perspectivas de políticas de incentivo.

“Nesse caso, é um pouco mais difícil separar o impacto da queda do preço do petróleo dos possíveis efeitos de uma agenda mais favorável às fontes renováveis, defendida pelo Partido Democrata”, afirma Benati. As ações de energia limpa avançaram na quarta-feira, em contraste com a pressão sobre parte das companhias ligadas à infraestrutura de inteligência artificial.

Juros e dólar acompanham a nova composição do Congresso

A mudança política também chegou à renda fixa. Na manhã de quarta-feira, o rendimento dos títulos do Tesouro americano com vencimento em dez anos estava perto de 4,93%, com queda de cerca de 0,02 ponto percentual. Quando os papéis se valorizam, os investidores aceitam uma remuneração menor para comprá-los.

Esses juros servem de referência para o financiamento das empresas e para a avaliação das ações. Juros menores podem elevar o valor atribuído a lucros futuros, embora o efeito varie de uma companhia para outra, conforme suas perspectivas de receita e investimento. O dólar, por sua vez, perdeu força frente a outras moedas. Às 9h12 de Nova York, equivalentes a 11h12 de Brasília, o índice que mede a moeda americana contra uma cesta de divisas caía 0,58%.

A nova composição do Congresso não elimina os riscos da inflação nem os efeitos dos conflitos internacionais. O Executivo mantém instrumentos de atuação, inclusive na política comercial, que não dependem de votação a cada medida. A partir de janeiro, propostas que exigem aprovação legislativa vão depender de negociação com a oposição.

A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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