Documentos revelam colaboração britânica com a “Casa da Morte” de Petrópolis

Documentos revelam detalhes da “Casa da Morte” de Petrópolis
Em dezembro de 1970, pouco após retornar de um “estágio de informações” na Inglaterra, o coronel Cyro Guedes Etchegoyen, então chefe da seção de contrainformações do gabinete do ministro do Exército durante a ditadura militar, liderou a criação de um centro clandestino de tortura e assassinatos na região Serrana do Rio, conhecido como “Casa da Morte de Petrópolis”.
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Documentos inéditos, produzidos por Etchegoyen e outros três militares, revelam detalhes surpreendentes sobre esse aparelho repressivo.
Estágio na Inglaterra e o convite do governo britânico
Os documentos indicam que o estágio resultou de um convite do governo britânico. Os oficiais brasileiros foram enviados para a Inglaterra para receber uma apresentação do Serviço de Informações Britânico (SIS) e do Serviço de Segurança Interna (MI-5), com o objetivo de selecionar assuntos de interesse para os órgãos de informações brasileiros.
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A colaboração entre os dois países, que até então era mantida em segredo, emerge desses documentos como um elemento crucial na repressão à oposição no Brasil.
Técnicas de interrogatório e a “Casa da Morte”
Os militares brasileiros aprenderam técnicas de interrogatório com os britânicos, incluindo o uso do “capuz” – a privação de luz e orientação do preso – como método para desorientá-lo e quebrá-lo psicologicamente. Além disso, foram instruídos sobre a importância de manter o centro secreto, com acesso restrito apenas aos interrogadores e à guarda, e sobre a necessidade de condições degradantes para o preso, como alimentação precária e isolamento.
Inês Etienne Romeu e o depoimento crucial
O depoimento de Inês Etienne Romeu, uma das sobreviventes da “Casa da Morte”, é fundamental para entender o funcionamento do centro. Ela relata ter passado três meses na casa, sofrendo tortura e interrogatório em condições desumanas. O relato de Inês, junto com o de outros ex-presos, fornece evidências concretas da atuação do CIE (Centro de Informações do Exército) na repressão política no Brasil.
A colaboração britânica revelada
O manual escrito pelo coronel Cyro Etchegoyen, um dos documentos mais importantes da investigação, detalha o programa cumprido pelos oficiais brasileiros e revela a extensão da colaboração britânica com o governo ditatorial brasileiro. O manual, que foi descoberto por acaso pela pesquisadora Maria Celina D’Araújo, é um novo instrumento importante de pesquisa sobre a colaboração dos ingleses com o governo ditatorial brasileiro.
Conclusões e implicações
A revelação desses documentos sobre a “Casa da Morte” de Petrópolis e a colaboração britânica com a ditadura militar brasileira levanta questões importantes sobre a responsabilidade internacional na repressão política e na violação dos direitos humanos.
O caso demonstra como a inteligência e a tecnologia podem ser utilizadas para fins nefastos e como a colaboração entre diferentes países pode contribuir para a perpetuação de regimes autoritários.
Editoria:
Redação Clique Fatos
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