Doador holandês Simon teria usado identidades falsas para gerar 199 nascimentos

Carta enviada aos pais reúne dados sobre as gestações e expõe o uso de diferentes identidades por Simon em bancos de esperma e acordos particulares.

02/09/2026 11:21

3 min

Simon com uma das crianças concebidas a partir de seu esperma, e Babs, uma das mães envolvidas
Simon com uma das crianças concebidas a partir de seu esperma, e...

Simon, um doador de esperma holandês identificado apenas por esse nome, teria sido responsável por pelo menos 199 nascimentos nos Países Baixos. O caso foi revelado na quinta – feira (27), quando 121 crianças haviam sido identificadas, e ganhou novos detalhes neste sábado (29), após o homem admitir o esquema em uma carta enviada aos pais.

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O documento foi obtido pelo programa de televisão Niewsuur. Nele, Simon afirma que começou a doar esperma em 2010 e calcula ter contribuído para o nascimento de 172 crianças nos Países Baixos, 15 na Bélgica e outra em um país não informado.

Doações feitas com nomes falsos

De acordo com o relato, o holandês teria usado diferentes identidades para se cadastrar em bancos de esperma. Ele também teria fechado acordos particulares com casais de várias partes da Europa.

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As mães envolvidas afirmam que Simon mentiu sobre a quantidade de filhos que já tinha. Babs, uma das mulheres que usaram o material genético do doador, disse ao Niewsuur que ele agia de forma calculada durante as conversas.

“É quase como se ele seguisse um script: ‘Se eu falar isso, elas vão cair e eu vou poder fazer mais um [filho]”, afirmou Babs. Segundo ela, “agora mesmo, há mais uma mulher grávida”.

Na carta, Simon reconhece que o total de gestações resultantes de suas doações “acabou sendo maior do que eu pensava, esperava ou queria”. Ele também escreveu que deveria ter contabilizado a quantidade de doações muito antes.

Carta reúne dados sobre as gestações

O holandês declarou que acreditava estar ajudando pessoas e que suas motivações eram a gratidão e a felicidade que via nas famílias. Na sequência, admitiu o impacto provocado pelas próprias ações: “Agora sei que os decepcionei gravemente”.

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A mensagem inclui uma relação das gestações para as quais Simon teria contribuído. A lista reúne o ano, a região e o gênero de cada criança, mas vem acompanhada de uma ressalva feita pelo próprio doador.

“É possível que nem toda gravidez tenha resultado em um nascimento com vida”, escreveu Simon. O documento foi encaminhado aos pais das crianças depois que o caso passou a ser divulgado.

Mudança na lei ocorreu em 2025

Autoridades de saúde disseram à imprensa local que já conheciam o extenso histórico de doações de Simon. Ainda assim, não haviam tomado providências contra o homem.

Simon também teria participado, a convite do próprio governo holandês, de um comitê legislativo que analisava mudanças nas regras de doação de sêmen em 2019. Em 2025, a legislação nacional passou a impedir que um cidadão continuasse doando depois de gerar filhos em 12 famílias.

A convenção de clínicas de fertilidade estabelece o limite de 25 crianças concebidas a partir de um único doador. A regra busca evitar que muitas pessoas com o mesmo pai sejam distribuídas por famílias diferentes.

O receio das autoridades e das clínicas é que esse tipo de concentração reduza a variabilidade genética da população. Com mais indivíduos tendo o mesmo pai biológico, aumentariam as possibilidades de doenças, malformações e incesto.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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