Diretora da EMEI Antônio Bento defende ensino de cultura afro-brasileira após chamada da polícia

A defesa da diretora Aline Aparecida Nogueira ressalta a importância do ensino de cultura afro-brasileira, respaldado por lei, em meio a polêmica e resistência

23/06/2026 15:37

3 min

O caso ocorreu em novembro de 2025 e o denunciante foi indiciado por intolerância religiosa.
O caso ocorreu em novembro de 2025 e o denunciante foi indiciado...

Imagens capturadas por câmeras corporais de policiais militares de São Paulo revelam um incidente envolvendo a diretora da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Antônio Bento, localizada na zona Oeste da cidade. O episódio ocorreu em novembro de 2025, quando um pai, insatisfeito com o conteúdo educacional que incluía a cultura afro-brasileira, acionou a polícia após sua filha voltar para casa com um desenho da orixá Iansã.

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A situação gerou discussões sobre a abordagem pedagógica e a liberdade religiosa nas escolas públicas.

Conflito entre a Direção Escolar e a Polícia

Durante a interação entre a diretora Aline Aparecida Nogueira e o tenente que atendeu à ocorrência, a educadora tentou explicar que o ensino sobre a cultura afro-brasileira é respaldado pela Lei Federal 10.639/2003, que estabelece a obrigatoriedade de abordar essa temática nas instituições de ensino.

Aline afirmou: “O trabalho da escola não é tirado da minha cabeça ou de outro professor”, reforçando a legalidade das atividades educacionais propostas.

O tenente, por sua vez, alegou ter sido chamado devido a uma suposta ocorrência de intolerância religiosa e sustentou que o pai tinha o direito de contestar as práticas da escola. Em meio à conversa, Aline convidou os policiais para participar de uma reunião com os pais e a comunidade escolar para discutir o plano de ensino e esclarecer as questões levantadas.

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No entanto, ela expressou preocupação ao afirmar que estavam sendo coagidos pela ação do pai ao chamar a polícia.

Repercussão e Medidas Adicionais

A CNN Brasil entrou em contato com a Polícia Militar e com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) para obter comentários sobre o comportamento do tenente. Até o momento, foi divulgada apenas uma nota informando que as gravações das câmeras corporais foram encaminhadas à Corregedoria e ao Tribunal de Justiça Militar para análise.

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A SSP-SP também destacou seu compromisso em apoiar iniciativas educacionais voltadas para combater o racismo nas escolas.

Desdobramentos Legais

No dia 12 de novembro de 2025, após ser acionada pelo pai da aluna, a Polícia Militar compareceu à escola onde ele alegava que sua filha estava sendo forçada a participar de aulas relacionadas à religião afro-brasileira. O pai já havia demonstrado sua insatisfação anteriormente ao retirar um desenho feito pela criança do mural escolar.

Após mais de uma hora na unidade escolar, os policiais deixaram o local acompanhados pelo pai.

Com base nas análises das gravações e depoimentos colhidos durante as investigações, a Polícia Civil indiciou o pai da aluna por suas ações no ocorrido. O inquérito foi concluído e relatado ao Poder Judiciário em fevereiro de 2026, dando sequência aos trâmites legais pertinentes ao caso.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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