Desabamento no Brás: 27 de 35 ocupantes foram resgatados e prédio não tinha AVCB regular

Um prédio de quatro andares desabou no final da tarde da sexta-feira (06), na altura do número 192 da Rua Maria Joaquina, no Brás, região central de São Paulo. Segundo o Corpo de Bombeiros, a construção não tinha Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) regular.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Na última atualização, à 0h21 do sábado (07), 13 viaturas ainda removiam escombros em busca de vítimas. Dos 35 ocupantes, 27 pessoas foram resgatadas, e quatro delas seguiram para a UPA da Mooca com ferimentos leves e quadro estável.
Como o prédio desabou no Brás
A capitã Karoline Magalhães, porta-voz do Corpo de Bombeiros, informou que 35 pessoas estavam no imóvel, e oito conseguiram deixá-lo antes da chegada da corporação. As causas do desabamento ainda não foram esclarecidas, e a prioridade agora é confirmar que não há mais ninguém sob os destroços.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Para isso, cães farejadores foram levados ao local.
Às 22h30, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros suspenderam os trabalhos por causa do risco de novos desabamentos. O local está totalmente isolado, e apenas a fachada segue de pé. Imagens mostram pilhas de escombros, concreto quebrado e metal retorcido.
A reportagem não conseguiu localizar os proprietários do imóvel.
Dona da loja e hipótese de excesso de peso
Informações iniciais indicam que uma loja de roupas funcionava no prédio. O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, disse ter conversado com a dona do estabelecimento, uma mulher de nacionalidade chinesa cuja identidade não foi revelada.
Segundo ele, “Ela recebeu dois contêineres. Um foi descarregado de manhã e ela levou para cima do imóvel. Depois das 18 horas, começaram a descarregar o outro, por isso tinham 35 pessoas no local. A perícia ainda vai apontar, mas a queda começou no mezanino, em cima, onde ela colocou muito peso”.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) também apontou o peso como principal hipótese. “A grande suspeita, a se confirmar ainda, é de excesso de peso. Muitos caminhões chegaram nesse local para armazenar tecido, e o excesso de peso pode ter ocasionado o desmoronamento”, afirmou.
Sobreviventes descrevem o colapso por dentro
Vítimas contaram como viram a estrutura ceder e os minutos de angústia até a chegada dos bombeiros. Um trabalhador que se identificou apenas como Wesley disse: “Foi um milagre. O prédio começou a desmoronar da frente para trás e foi até a metade. E a gente estava no fundo”.
Ele completou: “Foi do nada, coisa de um segundo”.
Paulo Fernandes, de 25 anos, afirmou que os tecidos armazenados no imóvel ajudaram a segurar parte da estrutura que cedia. “Se não fosse por isso, a gente tinha morrido.”
Bombeiros mobilizam 51 homens e bloqueios no centro
Os bombeiros foram acionados por volta das 18h40 e mobilizaram 51 homens e 17 viaturas até o local. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) bloqueou a Rua Maria Joaquina, o cruzamento da Rua Xavantes com a Rua Mendes Jr. e o cruzamento da Rua Oriente com a Rua Xavantes. A região é um dos principais centros de comércio popular da capital paulista.
Segundo desabamento grave em menos de 60 dias
O caso é o segundo desmoronamento de gravidade na capital em menos de 60 dias. Em 12 de setembro, seis pessoas morreram, entre elas uma criança, após um prédio em construção desabar sobre uma casa na Penha, também na zona leste paulistana.
Um homem apontado como sócio-proprietário oculto da construtora responsável pela obra foi preso temporariamente. Além dele, a Justiça expediu outros dois mandados de prisão temporária contra representantes da empresa, que chegou a ter seus empreendimentos bloqueados na cidade.
O engenheiro Fabio José de Oliveira, que vistoriou o prédio que desabou, relatou à Controladoria-Geral do Município de São Paulo (CGM), em depoimento de 18 de setembro, falhas graves e risco de colapso na construção. A liberação da obra pela fiscalização municipal passou a ser alvo de investigação.
Editoria:
Redação Brasil
A Redação Brasil reúne a cobertura do Clique Fatos sobre o noticiário das cidades e dos estados brasileiros. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



