Democratas enfrentam disputa apertada em Minnesota para conquistar o controle do Senado

O debate entre Peggy Flanagan e Michele Tafoya está previsto para sexta-feira (16), enquanto gastos de grupos externos reduzem a vantagem financeira democrata.

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Eleitora vota durante as eleições primárias para o Congresso dos EUA em Nova Jersey, em 2 de junho de 2026.

Os democratas enfrentam preocupações com gastos de campanha e pesquisas eleitorais nas duas semanas finais da disputa pelo controle do Senado dos Estados Unidos. Em Minnesota, a corrida para substituir a senadora Tina Smith, que está se aposentando, opõe a vice-governadora Peggy Flanagan, democrata, à ex-apresentadora esportiva Michele Tafoya, republicana.

Embora os democratas tenham arrecadado mais em quase todas as disputas decisivas para o Senado, recursos de grupos externos alinhados aos republicanos reduzem essa vantagem. O partido precisa conquistar quatro cadeiras sem perder nenhuma das que já detém.

Disputa em Minnesota segue apertada

Minnesota é visto como o estado “azul” mais “vermelho” dos Estados Unidos e está entre os locais acompanhados de perto pelos democratas. Um representante do partido no estado disse à CNN que a disputa entre Flanagan e Tafoya está “apertada demais para o conforto”.

As candidatas devem participar, na sexta-feira (16), do único debate previsto entre elas.

Tafoya tenta se distanciar de Donald Trump e da imagem do Partido Republicano, mirando eleitores independentes e republicanos moderados. Em um anúncio divulgado na semana passada, afirmou: “Sou uma republicana a favor do direito de escolha. Não tenho medo de enfrentar o meu partido”.

Ela acrescentou: “Quando Trump estiver certo, trabalharei com ele. Quando ele estiver errado, defenderei Minnesota.”

Trump pediu votos para Tafoya durante um comício realizado esta semana em Ohio: “Vocês precisam votar em Michele Tafoya”. No dia seguinte, ela minimizou o apoio do presidente e disse a repórteres: “Veja bem, esta campanha tem como objetivo unir todos os habitantes de Minnesota, independentemente de terem votado no presidente Trump ou em Kamala Harris.”

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Trump perdeu Minnesota por menos de 2 pontos percentuais em 2016 e por cerca de 4 pontos percentuais em 2024. Tafoya também tenta atrair eleitores com críticas à gestão estadual e se apresenta como uma “voz independente por Minnesota”.

Anúncios exploram fraude e custo de vida

Tafoya tem criticado o escândalo de fraude em programas de assistência social no estado. Em um anúncio exibido mais de 660 vezes no mercado de Minneapolis-St. Paul desde setembro, ela diz que “centenas de milhões” foram roubados de recursos que deveriam alimentar crianças com fome.

A vice-governadora Peggy Flanagan atuou ao lado do governador Tim Walz, que desistiu, no início deste ano, de buscar um terceiro mandato em meio ao escândalo. Flanagan venceu as primárias contra a deputada Angie Craig, uma adversária mais moderada, e recebeu o apoio do senador Bernie Sanders e de outros líderes progressistas.

Na campanha, Flanagan procura associar Tafoya a Trump e às dificuldades econômicas. Em um anúncio veiculado mais de mil vezes desde o início do mês passado, afirma que a rival apoia a “guerra sem fim” do presidente e os preços elevados da gasolina.

Flanagan também critica Tafoya por uma declaração de março, quando a republicana sugeriu que os habitantes de Minnesota poderiam lidar com os custos altos mantendo a resiliência e “talvez, deixar de ir ao Starbucks uma vez ou outra”. “Michele Tafoya talvez não entenda pelo que você está passando, mas eu entendo”, diz a democrata em seu anúncio.

Tafoya arrecada mais e começa outubro com vantagem

Desde as primárias de 11 de agosto, os republicanos gastaram cerca de US$ 3,42 milhões (aproximadamente R$ 17,4 milhões) na disputa em Minnesota, ante US$ 3,41 milhões (cerca de 17,3 milhões) dos democratas. Grupos externos têm concentrado recursos em outras corridas, no Texas, em Ohio, em Iowa e em Michigan.

Os relatórios do terceiro trimestre mostraram Tafoya à frente na arrecadação: US$ 4,9 milhões (cerca de R$ 24,9 milhões), contra US$ 4,3 milhões (aproximadamente R$ 21,8 milhões) de Flanagan. A republicana começou outubro com US$ 2,1 milhões em caixa, enquanto a democrata tinha US$ 1,5 milhão.

O resultado contrasta com outras disputas de alto nível. Na Geórgia, o senador democrata Jon Ossoff havia arrecadado, até o final de junho, dez vezes mais do que o deputado Mike Collins, seu adversário republicano. Na Carolina do Norte, o ex-governador Roy Cooper arrecadou três vezes mais do que Michael Whatley, ex-presidente do RNC (Comitê Nacional Republicano).

Democratas concentram anúncios em outros estados

Não há sinais de que o Partido Democrata em nível nacional esteja destinando recursos a Minnesota como precaução. Flanagan responde por US$ 1,4 milhão dos US$ 1,8 milhão reservados pelos democratas para anúncios nas três semanas finais da disputa.

No mesmo período, grupos externos ligados aos democratas preveem investir mais de US$ 24 milhões em Iowa, mais de US$ 7 milhões no Kansas e mais de US$ 2 milhões na Carolina do Sul. Trump venceu com folga nos três estados em 2024.

Para David Axelrod, estrategista de longa data e principal analista político da CNN, os indicadores objetivos favorecem os democratas. “Mas, como já sofreram derrotas no passado e diante da enxurrada de recursos sendo gastos contra eles, é natural que surja um instinto cauteloso de moderar as expectativas”, afirmou.

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