Debate na Câmara: Fim da Escala 6×1 gera polêmica entre deputados e pode ser aprovado ainda em 2026

Debate sobre o Fim da Escala 6×1 na Câmara dos Deputados
Os deputados Lucas Redecker (PSD-RS) e Lindbergh Farias (PT-RJ) discutiram, nesta quinta-feira (23), no programa O Grande Debate, a possibilidade de o Congresso aprovar o fim da escala 6×1. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, anunciou que pretende criar e instalar, na próxima semana, uma comissão especial para analisar a proposta.
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A escolha do presidente e do relator dessa comissão deve ocorrer nos próximos dias, após a proposta ter sido aprovada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa nesta semana.
A relatoria do texto ficou a cargo do deputado Paulo Asi, do União Brasil, e há um movimento entre os parlamentares para que ele continue nessa função. Além das duas propostas em análise na Câmara, o governo federal também enviou um projeto de lei em regime de urgência para acelerar a tramitação, embora Hugo Motta tenha expressado preferência pela análise por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição).
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Visões Divergentes no Debate
No debate transmitido pela CNN Brasil, os deputados Redecker e Farias apresentaram opiniões divergentes sobre a proposta. Redecker afirmou que há “99% de chance” de que o fim da escala 6×1 seja aprovado ainda este ano, mas expressou preocupação com os impactos econômicos da medida.
Ele alertou para possíveis consequências negativas para empresas, especialmente as de pequeno e médio porte.
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“Nós temos uma previsão de aumento de cerca de 22% nos custos para o empregador relacionados aos tributos e ao custo do funcionário, podendo chegar a um incremento de 10% até o final do ano”, destacou. Segundo ele, isso poderia levar ao fechamento de empresas ou ao repasse do custo para o consumidor final.
Redecker defendeu a criação de alternativas, como benefícios fiscais e a discussão sobre a desoneração da folha de pagamento para os setores afetados.
Avanços e Críticas
Por outro lado, o deputado Lindbergh Farias considerou a proposta um “avanço civilizatório” e comparou as críticas atuais a argumentos históricos contra outras conquistas trabalhistas. “Toda vez no Brasil, quando você vai ter um avanço, os argumentos são os mesmos.
Para acabar a escravidão, diziam que o fim da escravidão ia quebrar o Brasil. Para criar o salário mínimo, diziam que ia trazer desemprego”, argumentou.
Farias criticou a ideia de que o governo deveria subsidiar a mudança, afirmando que não se pode aceitar o uso de recursos públicos destinados aos mais pobres para essa finalidade. Ele defendeu a aprovação da proposta que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, estabelecendo a escala 5×2, e afirmou que o mercado se adaptará.
O deputado também expressou preocupação com tentativas de adiar a votação para depois das eleições municipais, citando declarações de líderes partidários. Farias alertou para o risco de que a tramitação via PEC resulte em uma transição muito longa, frustrando as expectativas da população.
Hugo Motta espera que o texto seja aprovado até o fim de maio ou início de junho deste ano. Após a votação pela comissão especial, o texto ainda precisará ser aprovado no plenário da Câmara.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



