Debate acirrado no Congresso sobre a Guerra com o Irã e os limites da Lei de Poderes de Guerra

Debate sobre a Guerra com o Irã e a Lei de Poderes de Guerra
Uma legislação da época da Guerra do Vietnã estabelece que o Congresso deve aprovar a guerra com o Irã após o conflito atingir 60 dias. O desafio atual é que os legisladores não conseguem chegar a um consenso sobre quando esse prazo se completa.
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Segundo a Lei de Poderes de Guerra de 1973, o presidente tem 60 dias para realizar ações militares em resposta a uma ameaça iminente ou a um ataque aos Estados Unidos, caso o Congresso não tenha autorizado a guerra. Sem essa autorização, a lei determina que, ao final do prazo, o presidente “deverá encerrar qualquer uso das Forças Armadas dos Estados Unidos”.
Vários legisladores consideram que a sexta-feira, 1º de maio, marca o fim dos 60 dias, com base na notificação do início das hostilidades feita pelo presidente Donald Trump ao Congresso em 2 de março. Alguns senadores republicanos argumentam que esse deve ser um ponto de inflexão, exigindo que o Congresso intervenha para autorizar o conflito ou, ao menos, realize uma supervisão adicional.
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No entanto, outros defendem que o presidente pode unilateralmente estender o envolvimento militar dos EUA por mais 30 dias, enquanto alguns republicanos afirmam que os dias de cessar-fogo não devem ser contabilizados.
Incertezas e Divergências no Congresso
Esse desacordo adiciona mais incerteza a um conflito que já levanta questões sobre o papel do Congresso em limitar os poderes de guerra do presidente. A extensão desse poder tem sido amplamente debatida entre os legisladores desde o início da guerra, no começo deste ano.
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A Casa Branca declarou em um comunicado que a guerra com o Irã terminou, um argumento que permite à administração evitar buscar a aprovação do Congresso. Um alto funcionário da administração afirmou que, para fins legais, “as hostilidades que começaram no sábado, 28 de fevereiro, terminaram”.
O funcionário ressaltou que tanto os EUA quanto o Irã concordaram com um cessar-fogo de duas semanas em 7 de abril, que foi prorrogado. “Não houve troca de tiros entre as Forças Armadas dos EUA e o Irã desde terça-feira, 7 de abril,” afirmou.
Essa interpretação da administração foi reforçada durante um depoimento no Capitólio, onde um legislador disse que, segundo a administração, “o relógio de 60 dias pausa ou para durante um cessar-fogo”.
Posições Divergentes entre Legisladores
O senador republicano Thom Tillis questionou essa interpretação, afirmando que a Resolução de Poderes de Guerra exige que, em 60 dias, alguma ação seja tomada. Ele destacou a necessidade de diálogo com a administração para obter uma autorização para o uso da força militar, garantindo que o povo americano compreenda o apoio do Congresso ao que o presidente está tentando realizar.
Por outro lado, alguns democratas argumentam que o prazo de 60 dias não se aplica a este conflito, alegando que não havia uma ameaça iminente do Irã no início da guerra.
O senador Adam Schiff, da Califórnia, afirmou que a guerra foi ilegal desde o início, pois não houve um ataque aos Estados Unidos. Ele faz parte de um grupo de senadores democratas que busca exigir a aprovação do Congresso para futuras ações militares contra o Irã.
A sexta tentativa desse grupo falhou no Senado, mas pela primeira vez, a senadora republicana Susan Collins votou com os democratas, assim como o senador Rand Paul.
Propostas e Expectativas no Senado
Collins declarou que a Constituição atribui ao Congresso um papel essencial nas decisões de guerra e paz, e a Lei de Poderes de Guerra estabelece um prazo claro de 60 dias para que o Congresso autorize ou encerre o envolvimento dos EUA em hostilidades.
Ela enfatizou que qualquer ação militar adicional contra o Irã deve ter uma missão clara e uma estratégia definida para encerrar o conflito. Outros legisladores, no entanto, apontam para uma disposição na lei de 1973 que permite ao presidente estender o prazo de 60 dias por mais 30 dias se alegar que a ação militar é necessária para proteger os militares durante a retirada.
O senador Mike Rounds, membro da Comissão de Serviços Armados do Senado, acredita que o presidente deve solicitar essa extensão. O líder da maioria no Senado, John Thune, indicou que não haverá votação sobre a autorização da guerra em breve, afirmando que, no momento, não está ouvindo essa demanda.
A senadora Lisa Murkowski anunciou que pretende apresentar uma medida sobre a autorização formal da guerra caso não veja um “plano confiável” da Casa Branca na próxima semana.
Responsabilidade Constitucional e Futuro do Conflito
Murkowski destacou que não aceita o envolvimento em ações militares sem um prazo definido e sem uma direção clara. Ela planeja apresentar sua medida, conhecida como autorização para uso da força militar (AUMF), quando o Senado retornar do recesso, caso a administração não apresente um plano.
O senador Josh Hawley afirmou que estamos em um ponto de inflexão na guerra, ressaltando que a administração tem opções legais a seguir.
Enquanto isso, o senador Tim Kaine criticou a ideia de que o marco de 90 dias poderia ser um ponto de virada, questionando a possibilidade de permitir que o presidente conduza guerras indefinidamente. Ele e Schiff concordaram que a extensão do prazo não deve ser automática e que a administração deve seguir os critérios legais estabelecidos.
Schiff também refutou a ideia de que o cessar-fogo interrompe a contagem do prazo de 60 dias, enfatizando que a Constituição e a lei exigem que o Congresso atue para encerrar a guerra.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



