Datafolha: 82% dizem não mudar o voto após debates, mas disputa segue apertada

Indecisos ainda podem influenciar o resultado do segundo turno, embora o Datafolha indique que 82% dos eleitores não mudam de voto após os debates.

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Os comentaristas da CNN Vinicius Poit e José Eduardo Cardozo.

Os comentaristas da CNN Vinicius Poit e José Eduardo Cardozo discutiram, na segunda-feira (19), se o debate presidencial da TV Bandeirantes pode convencer eleitores ou apenas mobilizar apoiadores. O encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado no domingo (18), teve uma série de ataques entre os candidatos, a uma semana do segundo turno da eleição.

Para os comentaristas, debates dificilmente mudam a escolha de quem já decidiu o voto. Em uma disputa apertada, porém, pequenas alterações entre os indecisos ainda podem pesar no resultado.

Cardozo vê efeito limitado entre eleitores indecisos

José Eduardo Cardozo avaliou que o debate pode influenciar quem ainda não escolheu um candidato, mas dificilmente altera posições consolidadas. “É muito difícil você imaginar que quem já tem o voto consolidado vá mudar de opinião”, afirmou.

Ele disse que essa tendência se repete em diferentes eleições: eleitores decididos costumam considerar que seu candidato venceu o debate, independentemente do desempenho dos participantes. Cardozo relatou ter conversado com duas pessoas indecisas que, depois do encontro, criticaram a postura de Flávio Bolsonaro.

Segundo o comentarista, elas disseram que Flávio “se mostrou arrogante, não respondeu as perguntas” e consideraram “inaceitável em relação a alguém que disputa uma eleição presidencial” o candidato circular pelo palco e gesticular enquanto o adversário falava.

Cardozo afirmou que a eventual redução no número de indecisos deve ser pequena e “possivelmente nem as pesquisas vão captar”.

Pesquisa aponta baixa mudança de voto após debates

Vinicius Poit concordou que debates raramente provocam mudanças amplas, mas observou que cada voto pode ser decisivo em uma disputa acirrada. Ele citou pesquisa do Datafolha realizada em outubro: 78% consideram muito importante a participação dos candidatos em debates, enquanto 82% dizem que não mudam de voto depois de assistir a um.

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“É muito importante, mas a taxa de mudança de voto é muito baixa depois que se assiste o debate”, ponderou Poit. O comentarista também criticou a atuação de Lula, que, segundo ele, ofendeu os cariocas ao usar a expressão “malandro carioca”.

Poit ainda questionou a forma como Lula se referiu a Daniella Marques, economista e coordenadora econômica da campanha de Flávio, chamando-a de “aquela tua mulher lá da economia”. “Se fosse um homem, ele ia falar o homem lá da economia, não ia”, disse.

Segundo o comentarista, Daniella Marques se sentiu ofendida.

Na avaliação de Poit, embora algumas atitudes de Flávio Bolsonaro possam ter passado uma impressão de arrogância, “Lula foi muito mal” no debate. Ele afirmou que Flávio demonstrou mais controle emocional, algo que poderia “fazer uma diferencinha em alguns votinhos nessa reta final”.

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