Dagmar Overbye: a dinamarquesa que matou bebês em Copenhague e inspirou o filme A Garota da Agulha

Entre 1915 e 1920, ela cobrava de mães pobres em Copenhague para “adotar” bebês que eram mortos.

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A Garota da Agulha | Foto: Divulgação/MUBI

A trajetória real da assassina em série dinamarquesa Dagmar Overbye serviu de base para A Garota da Agulha (2024), longa-metragem aclamado dirigido por Magnus von Horn. O drama reconstitui um dos episódios policiais mais chocantes da Europa do início do século XX.

Na Copenhague daquela época, a miséria urbana empurrava mulheres vulneráveis para um esquema clandestino. Por trás de uma fachada de caridade, escondia-se uma rotina sistemática de infanticídios.

Quem foi Dagmar Overbye na vida real

Entre 1915 e 1920, Dagmar Overbye atuou em Copenhague. Ela se apresentava como gestora de uma agência de adoção e cobrava dinheiro de mães desamparadas, com a promessa de entregar os bebês a famílias abastadas. Na prática, matava as crianças pouco depois de recebê-las.

As vítimas eram sobretudo jovens operárias de fábricas e mães solo sem recursos. Ter um filho fora do casamento carregava forte preconceito, e a falta de dinheiro impedia o sustento básico. Para muitas dessas jovens, entregar a guarda era a única saída para o recém-nascido.

Como o esquema funcionava em Copenhague

Em vez de procurar famílias adotivas, a mulher eliminava os bebês nas primeiras horas após receber o pagamento. As investigações iniciadas em setembro de 1920 revelaram práticas brutais repetidas ao longo dos anos. Entre elas estavam a cobrança antecipada de taxas supostamente destinadas à adoção e o estrangulamento, afogamento ou asfixia dos recém-nascidos em seu apartamento.

Os restos mortais eram incinerados no fogão da cozinha ou ocultados em bueiros. O dinheiro recolhido custeava moradia, bebidas e remédios.

A farsa veio à tona quando uma jovem costureira, já sem o bebê, se arrependeu e voltou ao endereço para desfazer o acordo. Diante de respostas evasivas e incoerentes, ela acionou a polícia, que encontrou roupas de crianças e fragmentos de ossos no local.

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Condenação e destino da assassina

O julgamento terminou em 3 de março de 1921 e ganhou ampla repercussão na imprensa escandinava. O tribunal condenou Dagmar Overbye pelo assassinato comprovado de nove bebês. Durante os interrogatórios, a ré chegou a admitir dezesseis mortes, e suspeitas policiais apontavam para até 25 vítimas.

Inicialmente, a Justiça decretou a pena capital, que depois foi trocada por prisão perpétua. A mulher ficou reclusa no presídio de Vestre Fængsel até morrer aos 42 anos, em 6 de maio de 1929.

O caso levou a mudanças na legislação dinamarquesa. Nos anos seguintes, surgiram leis rigorosas de proteção à infância e a supervisão estatal dos orfanatos.

Quem interpreta os personagens no filme

Nas telas, Trine Dyrholm vive a assassina, enquanto Vic Carmen Sonne interpreta a protagonista Karoline. O longa mostra como o abandono institucional e a miséria abriram caminho para um dos crimes mais brutais da história nórdica.

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