Dinossauros sumiram, crocodilos ficaram: refúgio perto do Equador pode explicar a sobrevivência

Estudo da UCL cruzou mais de 7 mil fósseis e modelos climáticos de 245 milhões de anos e aponta que áreas tropicais seguiram habitáveis após o asteroide.

4 min

Crocodilo: análise de DNA revelou a origem dos répteis desaparecidos há mais de 200 anos no arquipélago | Foto: Reprodução/Exame

Há 66 milhões de anos, o impacto de um asteroide desencadeou uma extinção em massa que varreu do planeta os dinossauros não aviários. Os ancestrais dos crocodilos, porém, escaparam. Agora, um estudo publicado na revista científica Science Advances indica que a preferência desses animais por climas quentes pode explicar a sobrevivência.

Pesquisadores da University College London (UCL), no Reino Unido, verificaram que a linhagem dos crocodilos seguiu as oscilações de temperatura ao longo de milhões de anos. Sempre que o planeta esfriava, os animais tendiam a se concentrar nas regiões tropicais.

Segundo o trabalho, áreas próximas ao Equador podem ter servido de refúgio logo após a colisão, o que garantiu a permanência de algumas populações.

Como os crocodilos atravessaram a extinção dos dinossauros

Para chegar a essa conclusão, a equipe analisou mais de 7 mil registros fósseis e dados sobre mais de 400 espécies, tanto atuais quanto extintas. Esses números foram cruzados com modelos computacionais que reconstruíram a geografia e o clima da Terra nos últimos 245 milhões de anos.

Os cálculos mostraram que os ancestrais dos crocodilos costumavam viver em ambientes quentes. Em fases de aquecimento, espalhavam-se pelo mapa. Quando o clima esfriava, recuavam para zonas mais quentes, e esse vaivém pode ter ajudado a espécie a sobreviver ao impacto de Chicxulub.

Os pesquisadores afirmam que áreas tropicais e subtropicais continuaram adequadas para parte dessa linhagem, mesmo com as alterações provocadas pela colisão.

Qual foi o efeito do asteroide sobre o clima

O impacto jogou material na atmosfera, o que reduziu a entrada de luz solar e mudou o clima. Para medir o estrago, os cientistas simularam diferentes níveis de redução da radiação solar. Com quedas de 5% ou 10%, as regiões perto do Equador ainda ofereciam temperaturas compatíveis com parentes dos crocodilos.

Leia também

No cenário mais severo, com diminuição de 15%, nem essas áreas mantinham condições favoráveis. Os autores, porém, classificam essa hipótese como improvável. As simulações também testaram mudanças nos níveis de dióxido de carbono na atmosfera, mas não encontraram alterações relevantes na oferta de climas adequados aos animais.

Na avaliação dos pesquisadores, a distribuição geográfica pode ter sido uma vantagem na crise. Ainda assim, o estudo não consegue provar que o clima foi o único fator responsável pela sobrevivência.

Como eram os crocodilos pré-históricos

Os crocodilos de hoje são só um pequeno recorte de uma linhagem bem mais vasta. Ao longo de milhões de anos, seus ancestrais e parentes adquiriram tamanhos, formatos corporais e dietas bem diferentes. O Sarcosuchus, um predador pré-histórico, podia chegar a cerca de 12 metros de comprimento.

Já o Postosuchus era um animal terrestre que se deslocava sobre duas ou quatro patas.

A linhagem mais ampla, chamada de pseudossúquios, reunia ainda espécies herbívoras e animais adaptados a outros habitats. Mesmo com tanta variedade, a pesquisa encontrou uma tendência constante de ligação com climas quentes. Há cerca de 50 milhões de anos, em um período de temperaturas globais altas, parentes dos crocodilos chegaram a viver em altas latitudes, incluindo a Antártida.

Conforme o planeta foi esfriando, essa distribuição se reduziu de novo às áreas tropicais.

Que outros fatores ajudaram os crocodilos a resistir

A preferência por regiões quentes não explica tudo. Outras características também podem ter pesado, como a habilidade de passar parte do tempo na água, a dieta variada e um gasto energético relativamente baixo.

Por serem ectotérmicos, os crocodilos recorrem a fontes externas de calor para controlar a temperatura do corpo. Com isso, gastam menos energia nas funções vitais do que animais que geram a maior parte do próprio calor. Os pesquisadores, porém, reforçam que a sobrevivência provavelmente veio da combinação desses fatores.

O que o estudo diz sobre as mudanças climáticas de hoje

A pesquisa também tem implicações para a conservação dos crocodilos atuais. Na história evolutiva, esses animais costumavam migrar para regiões com temperaturas adequadas quando o clima mudava. Hoje, a expansão urbana, de estradas e de áreas agrícolas pode travar esse deslocamento.

Philip Mannion, professor do Departamento de Ciências da Terra da UCL, afirma que a disponibilidade de habitats será decisiva para que as espécies se adaptem ao aquecimento global. Os pesquisadores, no entanto, alertam que a existência de ambientes favoráveis, que ajudou os ancestrais no passado, não garante a sobrevivência dos crocodilos diante das mudanças climáticas atuais.

A Redação Variedades reúne a cobertura do Clique Fatos sobre horóscopo, comportamento e curiosidades. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.