Crise política no Peru: apuração dos votos gera tensão e renúncia de Piero Corvetto

A apuração dos votos no Peru gera tensão política, com Keiko Fujimori no segundo turno e disputas acirradas. Descubra os desdobramentos dessa crise!

25/04/2026 05:46

4 min

Crise política no Peru: apuração dos votos gera tensão e renúncia de Piero Corvetto
(Imagem de reprodução da internet).

Apuração dos Votos no Peru e Crise Política

A apuração dos votos no Peru foi finalizada na quinta-feira (23), mas os resultados definitivos da eleição presidencial ainda levarão semanas para serem divulgados. Isso se deve à revisão dos registros contestados, que pode alterar a estreita diferença entre o segundo e o terceiro colocados.

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Enquanto isso, as autoridades enfrentam pressão devido a possíveis contestações judiciais relacionadas ao processo eleitoral. A candidata conservadora Keiko Fujimori, com 17,05% dos votos, assegurou sua participação no segundo turno, agendado para junho.

No entanto, o candidato de esquerda Roberto Sánchez, que obteve 12,03%, possui apenas 20 mil votos de vantagem sobre o ultradireitista Rafael López Aliaga, que alcançou 11,91%. O resultado final dependerá da análise de cerca de 5 mil registros enviados aos Tribunais Eleitorais Especiais, representando 5,6% do total.

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Na sexta-feira (24), foi informado que a realização de eleições suplementares era considerada “inviável”. O dia das eleições em Lima foi marcado por falhas logísticas na distribuição de materiais, resultando em atrasos significativos na abertura de várias seções eleitorais, o que colocou o ONPE (Escritório Nacional de Processos Eleitorais) sob forte crítica.

Após dias de acusações, o chefe do órgão, Piero Corvetto, apresentou sua renúncia, que foi aceita pela JNJ (Junta Nacional de Justiça), mesmo com a lei estabelecendo que seu cargo é “irrevogável” durante uma eleição ou referendo. O Procurador-Geral Tomás Gálvez informou que o Ministério Público pediu a prisão preventiva de Corvetto, que está sendo investigado por suposto conluio, embora a prisão ainda não tenha sido realizada.

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Acusações e Reações

Corvetto, em sua carta de renúncia, afirmou estar à disposição das autoridades para esclarecer os fatos. A Procuradoria-Geral do Peru e a Polícia Nacional realizaram buscas na residência de Corvetto na madrugada de sexta-feira. A Diretoria Anticorrupção da Polícia Nacional confirmou que estavam sendo realizadas 12 buscas, incluindo propriedades ligadas ao ex-chefe do ONPE e a ex-funcionários.

López Aliaga, que se diz o mais prejudicado pelos atrasos em Lima, continua a alegar fraude, mas sem apresentar provas. Ele declarou em uma transmissão ao vivo que Corvetto enfrentará 20 anos de prisão, prometendo persegui-lo incansavelmente.

O líder do Renovação Nacional exigiu que a Junta Nacional Eleitoral anule as eleições ou convoque novas votações, embora tais opções não estejam previstas na legislação. Corvetto negou as acusações em declarações à imprensa. Em meio à crise de legitimidade eleitoral, a JNE realizou uma reunião na quarta-feira (22), com a presença do novo chefe interino do ONPE, Bernardo Pachas.

Em um comunicado, a JNE afirmou que a realização de eleições suplementares não é viável. Fujimori já havia comentado sobre a possibilidade de uma nova votação, enquanto partidos de esquerda pedem o fim das especulações e o respeito ao voto popular.

Protestos e Demandas

Na quarta-feira, diversos grupos protestaram em frente à sede da JNE, tentando impedir que a entidade ceda a pedidos de eleições suplementares ou anulação do processo. A deputada Ruth Luque, candidata ao Senado pelo partido de centro-esquerda Ahora Nación, criticou a possibilidade de eleições suplementares como uma decisão ilegal e inconstitucional.

O advogado de Roberto Sánchez, Roy Mendoza, alertou que, se a JNE convocar novas eleições, estará cedendo à pressão de certos partidos políticos. A Associação Civil Transparência pediu que as autoridades atuem dentro do quadro legal e com a transparência necessária para restaurar a confiança pública.

Quando José María Balcázar assumiu a presidência em fevereiro, após a destituição de José Jerí, prometeu uma transição eleitoral pacífica e transparente. No entanto, seu governo enfrentou uma nova crise política esta semana. O presidente decidiu suspender a compra de caças dos EUA, deixando a decisão para a nova administração que tomará posse no final de julho.

O ministro dos Negócios Estrangeiros e o ministro da Defesa renunciaram em protesto, alegando que o presidente estava mentindo sobre o contrato já assinado. O Conselho de Ministros declarou que cumpriria o acordo, enquanto o Ministério da Economia confirmou o primeiro pagamento.

Desdobramentos Finais

O ex-ministro da Defesa, Carlos Díaz, afirmou que a compra seguiu os procedimentos formais e que Balcázar não emitiu uma ordem por escrito, ressaltando que um processo de seleção não pode ser interrompido verbalmente. Nesse cenário, o Terceiro Vice-Presidente do Congresso, Ilich López, anunciou uma moção de censura contra Balcázar por sua postura sobre a compra das aeronaves.

O presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi, comentou que, se as assinaturas necessárias forem obtidas, o processo será devidamente encaminhado. Assim, o Peru se aproxima da marca de 10 presidentes em 10 anos.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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