Crescimento das “canetinhas” impacta varejo alimentar e muda hábitos de consumo
O uso crescente de “canetinhas” está transformando o varejo alimentar! Marcio Milan, da Abras, revela como essa tendência impacta as escolhas dos consumidores.
Aumento do Uso de “Canetinhas” e Impacto no Varejo Alimentar
A crescente adoção de “canetinhas” ligadas à saúde e bem-estar já começa a moldar o comportamento dos consumidores, levando o setor de varejo alimentar a considerar ajustes em seu mix de produtos. Marcio Milan, vice-presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), destacou que essa tendência faz com que os supermercados analisem as mudanças nas escolhas dos consumidores.
Ele fez essas declarações durante uma entrevista à imprensa na quinta-feira (23).
De acordo com Milan, o setor já percebe um movimento em direção à busca por dados e informações que ajudem a orientar decisões sobre portfólio e sortimento, embora essas transformações ainda estejam em fase inicial.
Consumo em Março
Conforme dados da Abras, o consumo nas residências brasileiras teve um crescimento de 3,2% em março em comparação ao mesmo mês do ano anterior. O indicador subiu 6,21% em relação a fevereiro e fechou o primeiro trimestre com um aumento acumulado de 1,92%.
Esse desempenho foi impulsionado pela antecipação das compras para a Páscoa, que ocorre no início de abril, além do efeito-calendário de fevereiro, que possui menos dias.
Uma parte significativa do consumo ocorreu na última semana de março, em um contexto de maior disponibilidade de renda, com a liberação de recursos como Bolsa Família, PIS/Pasep, restituições do Imposto de Renda e pagamentos do INSS. Milan ressaltou que, mesmo em um cenário favorável para a renda das famílias, o setor continua focado na competitividade de preços, eficiência operacional e planejamento, considerando possíveis pressões logísticas e de custos no cenário internacional.
Indicadores de Preços e Expectativas Futuras
O Abrasmercado, que monitora a variação de preços de uma cesta de 35 produtos de consumo amplo, registrou um aumento de 2,20% em março, a maior alta do primeiro trimestre. Nos meses anteriores, as variações foram de +0,47% em fevereiro e -0,16% em janeiro.
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Com isso, o valor médio da cesta subiu de R$ 802,88 para R$ 820,54 no mês.
Para os próximos meses, o cenário ainda apresenta riscos de alta em alguns alimentos, especialmente aqueles mais suscetíveis a variações de frete, clima e oferta. Milan observou que o aumento do petróleo e o encarecimento do transporte elevam os custos de reposição em cadeias mais longas e logísticas, o que pode impactar os preços dos alimentos.
No segmento de 12 produtos básicos, o preço médio nacional teve um aumento de 2,26% em março, passando de R$ 336,80 para R$ 344,40.
A entidade acredita que haverá um suporte adicional ao consumo no segundo trimestre, com medidas como a antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas do INSS, além do pagamento de restituições do Imposto de Renda, que devem aumentar a renda disponível das famílias.