Brasil levou 16 anos para chegar a 1 GW em data centers, mas CPFL já negou 8 GW em pedidos

Segundo o CEO Gustavo Estrella, gargalos na transmissão travam a conexão, e as áreas da CPFL concentram cerca de 70% do consumo de data centers no país.

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Transformadores de potência serão usados na subestação que abastecerá os futuros campi de data centers da Terranova, em Campinas (SP) | Foto: Reprodução/CNN Brasil

Gargalos na infraestrutura elétrica, sobretudo na transmissão, levaram a CPFL Energia a negar pedidos de conexão de data centers que somam cerca de 8 gigawatts (GW). A informação foi dada pelo CEO da companhia, Gustavo Estrella, durante a 17ª edição do Brazil Windpower, em São Paulo.

O volume, segundo o executivo, equivale a oito vezes a demanda dos centros de dados hoje em operação no Brasil. Ele admitiu que parte dessas solicitações é especulativa, mas disse que os números mostram o tamanho da procura por conexão e a preocupação do setor com oportunidades perdidas.

Brasil levou 16 anos para chegar a 1 GW

“Eu neguei cerca de 8 GW de capacidade de conexão de data centers por dificuldade de conexão”, afirmou Estrella. Para ele, a escala dos novos pedidos pressiona uma infraestrutura que leva prazos maiores do que os investidores estão dispostos a esperar.

Na comparação do executivo, o país levou aproximadamente 16 anos para formar uma demanda de cerca de 1 GW nesse mercado. Agora, a procura cresceu em ritmo muito mais acelerado.

Estrella apontou dois entraves para o setor: a carga tributária e a conexão ao sistema elétrico. Apesar de haver limitações nas redes de distribuição, ele afirmou que o principal gargalo está na transmissão, que leva grandes blocos de energia até os centros de consumo.

Localização e prazo de obras complicam a conexão

A escolha do local também pesa. Segundo o executivo, os data centers precisam ficar onde a instalação faça sentido econômico, o que obriga a casar a disponibilidade da rede com as necessidades de cada projeto. Na prática, ter energia disponível no país não basta se ela não puder ser entregue onde os investidores querem construir.

Ainda de acordo com Estrella, as áreas de concessão da CPFL concentram cerca de 70% do consumo de eletricidade dos data centers brasileiros. Para mostrar o porte das novas cargas, ele citou uma demanda de aproximadamente 350 megawatts (MW) para Campinas.

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Dois empreendimentos de 200 MW cada, tamanho que ele considera comum nesse mercado, somariam 400 MW, acima da referência apresentada para a cidade.

O calendário das obras também é um problema. Estrella citou um prazo médio de sete anos para desenvolver a infraestrutura necessária e avaliou que a indústria não vai esperar esse tempo todo para colocar seus projetos em operação.

Consumo deve crescer em 2026 e 2027

Segundo Estrella, o consumo dos data centers vai chegar a 40% em 2026 e a 100% em 2027, embora em velocidade menor do que poderia ocorrer. Além de pedir mais agilidade, ele defendeu que quem quer instalar os centros de dados ajude a pagar a infraestrutura construída para atendê-los, já que, em sua avaliação, essa demanda precisa arcar com parte do esforço financeiro necessário à conexão.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) afirma que a concretização dos empreendimentos depende de fatores como infraestrutura elétrica e de telecomunicações, viabilidade econômica e atendimento às exigências de garantias para conexão. Como o próprio executivo reconheceu que há pedidos especulativos, separar intenções de investimento de projetos com chance real de sair do papel tende a ser decisivo antes de dimensionar as obras.

Temporadas de Acesso mudam o planejamento da transmissão

O planejamento do acesso à transmissão também está mudando. As Temporadas de Acesso, definidas no Pnast (Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão), organizam a apresentação e a análise dos pedidos à Rede Básica. Quando vários interessados disputam a mesma capacidade disponível, o processo passa a ser competitivo.

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