Construtoras brasileiras de baixa renda podem ganhar mercado em Portugal, diz Coutinho

A Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil enxerga na crise habitacional de Portugal uma chance para construtoras brasileiras, sobretudo no segmento de moradias de baixa renda. O presidente da entidade, Domingos Espírito Santo Pereira Coutinho, defende que o país europeu adote modelos já testados no Brasil, como o Minha Casa, Minha Vida.
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O executivo assumiu a presidência há poucos meses, com a meta de ampliar a cooperação entre empresários dos dois países no ano em que a Câmara completa 114 anos de existência. A comemoração está marcada para o próximo mês, em uma festa em São Paulo.
Protestos em Lisboa acendem alerta sobre inflação
Nas últimas semanas, centenas de pessoas saíram às ruas de Lisboa para protestar contra a inflação imobiliária, em meio à crise de moradia no país. Portugal, como outros países da Europa Ocidental, enfrenta a alta dos chamados custos de vida, que são as despesas do dia a dia, como aluguel, água, energia elétrica e alimentos.
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A agitação chega em um momento delicado. A inflação portuguesa, de 3,6% ao ano, começa a se aproximar da média da Zona do Euro, que é de 3,8%.
Coutinho vê espaço para habitação popular
Em entrevista, Coutinho afirmou que o déficit de moradias em Portugal abre espaço para exportar um modelo de negócios já consolidado pelas construtoras brasileiras: a habitação voltada às faixas de menor poder aquisitivo. “O Brasil tem o setor imobiliário muito desenvolvido, no ‘Minha Casa, Minha Vida’, por exemplo, um programa que o governo no Brasil adotou e que tem sido de fato notável. Portugal poderia muito bem explorar esse tema, a exemplo do Brasil, e trazer investimento para o setor imobiliário de mais baixa renda”, disse.
Ele prometeu levar o assunto ao próximo evento da Câmara.
Por enquanto, porém, a maior parte dos aportes de bancos brasileiros no mercado imobiliário português vai para o segmento de luxo. O BTG Pactual colocou cerca de 160 milhões de euros em um complexo hoteleiro em Cascais, no litoral português.
O empreendimento ganhou a chancela do grupo Fasano.
Coutinho também citou outras empresas brasileiras que já atuam no setor em Portugal, como a Cyrela e a Gow Capital. “Temos grandes empresas brasileiras fazendo isso aí no Brasil que poderiam olhar para Portugal”, afirmou.
Comércio bilateral e acordo Mercosul-União Europeia
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Portugal somou US$ 4,5 bilhões. Para a Câmara, o acordo Mercosul-União Europeia tende a ampliar esse movimento, e a entidade vê a aproximação dos dois blocos com entusiasmo.
“Vai trazer de fato muitos benefícios aos brasileiros, às grandes empresas que estão atentas e querendo se beneficiar desse mercado. Obviamente que o inverso também se aplica, os europeus estão olhando para o grande mercado consumidor que é o Brasil, o Mercosul em particular”, disse Coutinho.
Nesse contexto, Portugal busca consolidar o papel de “Corredor Atlântico”. A estratégia usa a orla costeira e a infraestrutura portuária do país para torná-lo a principal plataforma logística e a porta de entrada da produção brasileira na Europa.
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Redação Economia
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