Cosméticos aumentam o risco de câncer de mama? O que dizem os estudos até agora

Com 781 mil novos casos previstos pelo Inca até 2028, pesquisas investigam se substâncias como estrógenos em produtos de uso diário influenciam a doença.

3 min

Evento Be Clean • Kaique Guimarães Martins/Be Clean

O câncer de mama lidera entre os tipos de câncer que atingem as mulheres no Brasil, e a projeção para os próximos anos é de alta. Na quinta-feira (22), um evento em São Paulo reuniu especialistas para discutir os cuidados com a pele antes e durante o tratamento oncológico.

A doença alcança perto de 66,54 casos a cada 100 mil brasileiras. As estimativas do Inca (Instituto Nacional de Câncer de Mama) apontam 781 mil novos diagnósticos no país até 2028, o que representa 5 mil casos anuais além do registrado no ciclo anterior.

Substâncias em cosméticos entram no debate sobre risco

Ainda não há consenso entre as pesquisas sobre o peso dos cosméticos nesse processo, mas alguns estudos tentam entender essa relação. A ABMA (Associação Brasileira de Medicina Antroposófica) admite que certas substâncias presentes nesses produtos, como os estrógenos, podem ter ligação com processos cancerígenos.

Embora as mulheres na faixa dos 50 anos formem o principal grupo de risco, a doença também tem sido identificada precocemente em jovens de 20 e 30 anos. Genética, ambiente externo, alimentação e aquilo que se aplica sobre o corpo estão entre os fatores que favorecem o avanço do câncer.

Estudo nos EUA mediu efeito de produtos no tecido mamário

Pesquisadores do California Pacific Medical Center Research Institute, nos EUA, investigaram como produtos dermatológicos agem diretamente na mama. O trabalho saiu na revista Chemosphere e não prova que os cosméticos provoquem a doença, mas sugere que eles podem interferir no diagnóstico.

Em meados de 2023, a equipe acompanhou mulheres saudáveis que tinham o hábito de usar produtos de limpeza. Parte dos compostos desses itens se comporta de forma parecida com o estrogênio, hormônio capaz de estimular o crescimento de células e lóbulos mamários.

Por 28 dias, uma parcela das voluntárias substituiu os produtos do dia a dia por alternativas com menos substâncias. Os cientistas recolheram amostras de urina, sangue e células da mama antes e depois da troca. Ao fim, a concentração de parabenos, um tipo de conservante químico, diminuiu na urina, e as células mamárias mostraram mudanças em processos ligados à morte celular.

Leia também

Absorção pela pele depende do ingrediente e da região

Organizado pela Be Clean durante o Outubro Rosa, o congresso juntou médicos e especialistas para tratar de cosméticos e tratamento oncológico. A empresa desenvolveu um aplicativo que analisa rótulos a partir de estudos e relatórios e avisa sobre a toxicidade de cada produto.

Para a dermatologista Patrícia Silveira, o quanto a pele absorve muda conforme o ingrediente, a concentração e o local de aplicação. “A nossa pele tem particularidades regionais, algumas áreas são mais absortivas, outras são menos. A absorção pode ser dada também através de anexos”, afirma.

As especialistas defendem que revisar a composição dos produtos ajuda a fazer escolhas mais conscientes e seguras. “É bom porque a gente está revendo o que a gente usava, a gente está podendo rever formulações e, realmente, discutir e falar sobre isso”, disse Silveira.

A Redação Saúde e Educação reúne a cobertura do Clique Fatos sobre saúde, bem-estar e educação. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.