Consultoria Copenhagen, citada no caso Master, entra em liquidação
A consultoria Copenhagen entrou em liquidação após a dissolução voluntária da companhia ser registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), no dia 17 de agosto deste ano. O processo foi formalizado por meio de ata, que detalha o encerramento das atividades e aponta para um envolvimento complexo com figuras políticas proeminentes e investigações sobre movimentação financeira suspeita envolvendo R$ 58 milhões.
Segundo documentos obtidos pelo Metrópoles e acessados também pelo Estadão, a decisão pela extinção ocorreu em 28 de julho. A aprovação da dissolução coube ao único acionista registrado na empresa, Estônia Multiestratégia. A situação administrativa gerou questionamentos no local onde os atos foram realizados; uma reportagem constatou que o endereço fornecido à Receita Federal não era mais operacional para Copenhagen quando visitado por jornalistas dias antes do evento.
Endereço da empresa
No mesmo ponto físico foi encontrada outra firma ativa ali — Contábil Corrêa —, pertencente igualmente a Rogério Lourenço Novo, empresário ligado aos interesses corporativos envolvidos com esta matéria.
Os documentos de liquidação revelam ainda detalhes sobre quem conduziu formalmente este processo. Rogério Lourenço Novo foi nomeado liquidante e, segundo a ata, presidiu e secretariou a assembleia, realizada no endereço da Contábil Corrêa, em São Caetano do Sul (SP).
Investigação da PF
A Copenhagen está sendo investigada por suspeita de ocultar bens relacionados aos fatos apurados pelo caso Master. A Polícia Federal acompanha essa movimentação após informações indicarem um fluxo financeiro significativo através da empresa.
Segundo o Metrópoles, a empresa recebeu R$ 58 milhões do Banco Master, de Daniel Vorcaro, que está em liquidação extrajudicial. Parte do dinheiro foi repassada poucos dias depois da abertura da consultoria. O rastreamento desses valores está no centro das suspeitas da PF sobre ocultação de patrimônio. Documentos mostram ainda que Flávio Bolsonaro chegou a emitir nota fiscal para a Copenhagen por serviços prestados, depois cancelada.
A Contábil Corrêa, do mesmo dono, também emitiu nota fiscal de meio milhão de reais.
A administradora Trustee, gestora do fundo Estônia Multiestratégia, negou vínculo ou ingerência na gestão da empresa. No entanto, o e-mail cadastrado na Receita Federal pela Copenhagen pertence a um contato ligado à própria gestora.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.
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