Condor-da-Califórnia saiu de 22 aves em 1982 para mais de 600, apesar dos conflitos locais
Biólogos capturaram, em 1987, o último condor-da-califórnia que vivia livre na natureza. A operação retirou a espécie de seu habitat natural, mas integrou uma estratégia do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos para evitar sua extinção definitiva.
Quase 40 anos depois, a população superou 600 indivíduos no final do ano passado, e quase 400 condores já vivem novamente em liberdade. A recuperação, porém, exigiu altos investimentos e gerou conflitos sobre os efeitos das medidas de conservação.
A recuperação do condor gerou conflitos locais
A população da espécie passou de 22 aves em 1982 para mais de 600. No processo, foram impostas restrições ao uso do solo em comunidades rurais, e houve conflitos com grupos de caça.
Uma das medidas que enfrentou maior resistência foi a proibição da munição de chumbo, considerada uma das principais causas de morte dos condores por envenenamento. O caso também levanta dúvidas sobre quem decide quais espécies devem receber recursos e quem arca com os custos da conservação.
A participação limitada de comunidades locais e povos indígenas nas decisões foi discutida na cúpula de biodiversidade da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Yerevan, capital da Armênia, com encerramento em 30 de outubro. Embora sejam diretamente afetados pelas ações, esses grupos ainda têm papel considerado simbólico nos processos de escolha.
Marco global prevê proteção de 30% até 2030
Assinado em 2022, o Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal estabelece como metas proteger 30% das terras e dos mares do planeta, interromper extinções provocadas pela ação humana e mobilizar US$ 200 bilhões por ano até 2030.
O acordo não define quais espécies devem ser priorizadas, mas orienta as estratégias nacionais e a distribuição dos recursos destinados à conservação. Como há muitas espécies ameaçadas, a divisão dos investimentos também está em debate.
Financiamento se concentrou em cinco grupos de mamíferos
Cerca de 1 milhão de espécies estão ameaçadas de extinção em todo o mundo, enquanto as metas internacionais de conservação seguem atrasadas. Com recursos limitados, governos e instituições precisam escolher quais animais receberão investimentos.
Um estudo sobre mais de 14 mil projetos realizados entre 1992 e 2016 identificou concentração do financiamento. Primatas, carnívoros, baleias, elefantes e rinocerontes receberam juntos 86% dos recursos, e todo o restante foi destinado às demais espécies.
O caso do condor-da-califórnia mostra que evitar a extinção é apenas o primeiro passo. A preservação da biodiversidade também depende de decisões equilibradas, da participação das comunidades e de condições para que as espécies continuem vivendo em liberdade.
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Redação Variedades
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