Cães de Chernobyl vivem e se reproduzem há quase 40 anos na zona contaminada, e o DNA pode explicar

Estudo na revista Genes encontrou 1.138 regiões genômicas alteradas e 247 genes candidatos à seleção positiva ligados ao reparo do DNA em cães perto da usina.

3 min

Cães de Chernobyl: diferenças genéticas intrigam cientistas quase quatro décadas depois do desastre | Foto: Getty Images
Cães de Chernobyl: diferenças genéticas intrigam cientistas quas...
▼

Quase quatro décadas depois do desastre nuclear de Chernobyl, em 1986, cães seguem vivendo e se reproduzindo na região contaminada. Um estudo publicado em setembro na revista científica Genes sugere que parte da resposta para essa sobrevivência pode estar no DNA desses animais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A pesquisa analisou o genoma de cães que habitam a Zona de Exclusão de Chernobyl, na Ucrânia. Os cientistas encontraram diferenças genéticas entre populações vizinhas e passaram a investigar se elas refletem adaptação ao ambiente hostil.

Genoma mostra diferenças entre cães da usina e da cidade

Entre os achados, aparecem 1.138 regiões genômicas com alterações marcantes, além de 247 genes candidatos à seleção positiva na população que vive perto da usina.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Um dos pontos centrais era descobrir de onde vinham essas diferenças. Os pesquisadores testaram se elas poderiam ser fruto do isolamento geográfico e de cruzamentos entre parentes, ou se estariam ligadas à adaptação ao meio. Para isso, compararam o DNA dos cães das proximidades da usina com o de animais da cidade de Chernobyl e com o de cães das Ilhas Galápagos.

O resultado mais curioso veio dessa comparação: os cães das Galápagos se parecem mais com populações da Europa continental do que os cães da usina se parecem com os da cidade de Chernobyl. Isso chama atenção porque os dois grupos ucranianos vivem a apenas alguns quilômetros um do outro.

A pesquisa aponta que as condições ambientais podem ter contribuído para essa separação genética.

Genes ligados à proteção celular entram na mira

Os genes candidatos estão associados a processos biológicos importantes para proteger as células. Um deles é o reparo do DNA, que envolve reconhecer e corrigir danos no material genético.

Leia também

Outro grupo de mecanismos tem relação com o controle de tumores, ou seja, com a regulação da multiplicação celular. Há ainda genes ligados à resposta inflamatória, que mostram como o organismo reage a inflamações e a agentes do ambiente.

Para os autores, essas funções ajudam a entender como os animais reagem a condições adversas. A hipótese é que características genéticas favoráveis tenham passado de uma geração para outra, sustentando as populações. Ainda assim, os genes identificados não provam, sozinhos, que os cães desenvolveram resistência à radiação.

Seleção natural pode explicar parte das diferenças

O acidente de 1986 espalhou materiais radioativos e contaminantes tóxicos pelo ambiente. Mesmo assim, os cães continuaram na região e se reproduziram por mais de 35 gerações.

Uma das hipóteses investigadas é que a pressão do ambiente tenha favorecido indivíduos com certas características genéticas. Animais mais capazes de enfrentar condições difíceis teriam sobrevivido e passado esses traços aos descendentes, num processo conhecido como seleção natural.

Com isso, o estudo tenta medir até onde essa seleção explica as diferenças observadas entre as populações de Chernobyl. A resposta final ainda depende de novas análises.

Cães podem servir de pista para pesquisas em humanos

Além da sobrevivência dos animais, os pesquisadores veem utilidade para a saúde humana. Cães domésticos são considerados sentinelas biológicas, já que dividem ambientes com as pessoas e apresentam respostas metabólicas parecidas com as nossas.

Por isso, as alterações genéticas registradas em Chernobyl podem indicar caminhos para estudar os efeitos da exposição prolongada a contaminantes. Entre as áreas de interesse estão a oncologia comparada e o estudo de respostas biológicas a ambientes extremos.

Os resultados também podem ajudar a entender os limites de adaptação de organismos expostos a acidentes industriais, nucleares e a outras formas de contaminação, como destacam os pesquisadores.

A Redação Variedades reúne a cobertura do Clique Fatos sobre horóscopo, comportamento e curiosidades. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!