CTs sob escrutínio: Práticas controversas chocam profissionais e geram alertas! Eduardo Real relata experiência angustiante em CT precária. Saiba mais!
Em 2011, o estudante Eduardo Real teve a experiência de vivenciar uma Comunidade Terapêutica (CT), um local que, apesar de compartilhar semelhanças com uma prisão ou hospital psiquiátrico, se distanciava dos modelos anteriores à luta antimanicomial.
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A CT onde Real foi internado, situada em um galpão com outros 80 homens, apresentava condições precárias e momentos de alívio limitados, como a participação em refeitórios com alimentos questionáveis, frequentemente “restos de feira” ou “mortadela estragada”.
Além disso, os residentes eram convidados a participar de cultos religiosos, o que gerava debates sobre a relação entre religiosidade e tratamento terapêutico.
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A experiência de Real, e a subsequente reação de diversos profissionais da psicologia e da saúde mental, levantaram questões sobre a legitimidade e a eficácia das CTs, especialmente diante de relatos de práticas que se aproximavam de modelos segregatórios e de isolamento.
O Ministério do Trabalho e Emprego, em parceria com o Ministério da Saúde, lançou uma série de iniciativas para promover a integração das CTs à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), buscando garantir o acesso dos usuários a serviços de saúde e apoio social.
Apesar dos esforços para integrar as CTs à RAPS, a instituição do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e de outras organizações da sociedade civil expressaram preocupações sobre a natureza segregadora de algumas CTs e sobre a possibilidade de que elas reproduzissem práticas discriminatórias e de exclusão.
O CFP, em particular, destacou a importância do cuidado em liberdade como princípio fundamental da prática psicológica, enfatizando que a assistência aos usuários de drogas deve ser oferecida em contextos comunitários e territorializados, respeitando seus direitos e sua autonomia.
As críticas se concentraram em aspectos como a imposição de regras e rotinas rígidas, a falta de respeito à diversidade religiosa e cultural dos usuários, e a prática de trabalho forçado sem a devida supervisão e proteção. Além disso, questionou-se a eficácia de modelos terapêuticos que se baseavam em abordagens puramente proibicionistas, sem considerar a complexidade do fenômeno da dependência química e a importância de fatores sociais, econômicos e culturais no processo de recuperação.
Em 2026, o debate sobre o futuro das CTs continua em curso, com a participação de diversos atores, incluindo profissionais da saúde mental, representantes de movimentos sociais, usuários de drogas e familiares. A discussão envolve questões como a necessidade de regulamentação e fiscalização das CTs, a importância de garantir a participação dos usuários na tomada de decisões sobre seus próprios tratamentos, e a promoção de políticas públicas que visem a fortalecer a RAPS e a oferecer serviços de saúde e apoio social de forma abrangente e inclusiva.
O Conselho Federal de Psicologia, em consonância com os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira, defende o fortalecimento da RAPS como principal eixo da política de saúde mental, e se opõe a modelos de assistência que se baseiam no isolamento, na segregação e na imposição de valores e crenças.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.