Colômbia completa terceiro dia de buscas após terremoto devastador que deixou mais de 220 mortos
A mobilização internacional se intensifica enquanto a Colômbia enfrenta um dos maiores desastres naturais de sua história recente, com milhares de desabrigados.
As operações de busca e resgate na Colômbia completaram seu terceiro dia na manhã desta quarta – feira (12), após um forte terremoto que devastou o oeste do país, resultando na morte de mais de 220 pessoas, conforme contagem da CNN com base em relatos oficiais.
O tremor atingiu a região cafeeira, deixando as comunidades em estado de calamidade pública, enquanto líderes globais se mobilizam para oferecer ajuda.
A União Europeia ativou seu serviço de satélites Copernicus e anunciou financiamento para apoiar as operações de resposta, segundo Kaja Kallas, chefe da diplomacia da UE. Este desastre representa um dos primeiros grandes desafios para o novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo na semana passada e prometeu um enfrentamento rigoroso contra grupos criminosos e militantes de esquerda.
Desafios logísticos e contagem de vítimas
Na terça – feira (11), De la Espriella divulgou medidas de auxílio econômico para os afetados pelo terremoto, além de apoio financeiro para aqueles que perderam suas casas, permitindo que aluguem moradias temporárias. O tremor, considerado o mais forte no país na última década, gerou desafios logísticos significativos devido à sua magnitude.
Isso se reflete na desorganização da contagem de vítimas, com várias autoridades regionais envolvidas na resposta à emergência.
O presidente afirmou que estava a caminho da Região Cafeeira para liderar a resposta ao desastre e prometeu atualizações regulares sobre os números. No entanto, até agora não foram apresentados dados novos; a contagem é uma compilação de informações provenientes de diferentes agências e governadores.
A Asocapitales (Associação Colombiana de Capitais) reportou aproximadamente 180 mortes na manhã de terça – feira, mas esse número não inclui várias cidades que não são capitais departamentais.
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Atualmente, o total ultrapassa 200 mortos e mais de 1.500 feridos. O impacto do terremoto foi muito maior do que o registrado em desastres anteriores, causando danos generalizados em ao menos cinco departamentos. A Asocapitales informou que cinco capitais estão em “alerta vermelho”: Quibdó, Cali, Manizales, Pereira e Armenia.
Contudo, os danos também afetam áreas fora das capitais.
Estruturas danificadas e ações humanitárias
No Valle del Cauca, a governadora Dilian Francisca Toro relatou 38 mortes em cidades além de Cali. A logística é ainda mais complicada pela suspensão das operações em sete aeroportos; em alguns casos, as pistas estão inoperantes devido aos danos.
A associação também destacou que Cali e Pereira enfrentam situações críticas com estruturas colapsadas e pessoas presas nos escombros.
Até agora, as autoridades registraram 152 edificações desabadas e milhares de casas afetadas. Em Cali, 239 pessoas permanecem sob os escombros; o prefeito Alejandro Eder informou que 86 já foram resgatadas. Em Pereira, até a noite da segunda – feira (10), 53 pessoas estavam presas em 58 edificações desabadas.
A Cruz Vermelha ativou seu centro nacional de crise e está mobilizando equipes para as áreas mais afetadas como Antioquia, Quindío e Caldas. Um comunicado revelou o envio imediato de 30 membros para Chocó. Entretanto, as Nações Unidas ainda não receberam pedidos formais de assistência das autoridades colombianas; Jens Laerke, porta – voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, afirmou que estão preparados para oferecer ajuda assim que solicitado.
Tremores históricos e causas geológicas
O diretor – geral do Serviço Geológico da Colômbia, Julio Fierro Morales, explicou que o terremoto ocorrido na segunda – feira (10) foi resultado da dinâmica tectônica natural do oeste colombiano. Ele associou esses eventos à subducção da Placa de Nazca sob a Placa Sul – Americana.
Morales lembrou o terremoto histórico registrado em 23 de novembro de 1979 com magnitude 7,2, quando dezenas morreram e centenas ficaram feridas.
Gustavo Ortiz, doutor em Ciências Geológicas pelo Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina, corroborou essa visão ao afirmar que no oeste da América do Sul ocorre um processo contínuo onde uma placa tectônica afunda sob outra.