Colômbia completa terceiro dia de buscas após terremoto devastador que deixou mais de 220 mortos

A mobilização internacional se intensifica enquanto a Colômbia enfrenta um dos maiores desastres naturais de sua história recente, com milhares de desabrigados.

Pessoas removem escombros no local de um prédio danificado após terremoto em Pereira, na Colômbia em 11 de agosto de 2026

As operações de busca e resgate na Colômbia completaram seu terceiro dia na manhã desta quarta – feira (12), após um forte terremoto que devastou o oeste do país, resultando na morte de mais de 220 pessoas, conforme contagem da CNN com base em relatos oficiais.

O tremor atingiu a região cafeeira, deixando as comunidades em estado de calamidade pública, enquanto líderes globais se mobilizam para oferecer ajuda.

A União Europeia ativou seu serviço de satélites Copernicus e anunciou financiamento para apoiar as operações de resposta, segundo Kaja Kallas, chefe da diplomacia da UE. Este desastre representa um dos primeiros grandes desafios para o novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo na semana passada e prometeu um enfrentamento rigoroso contra grupos criminosos e militantes de esquerda.

Desafios logísticos e contagem de vítimas

Na terça – feira (11), De la Espriella divulgou medidas de auxílio econômico para os afetados pelo terremoto, além de apoio financeiro para aqueles que perderam suas casas, permitindo que aluguem moradias temporárias. O tremor, considerado o mais forte no país na última década, gerou desafios logísticos significativos devido à sua magnitude.

Isso se reflete na desorganização da contagem de vítimas, com várias autoridades regionais envolvidas na resposta à emergência.

O presidente afirmou que estava a caminho da Região Cafeeira para liderar a resposta ao desastre e prometeu atualizações regulares sobre os números. No entanto, até agora não foram apresentados dados novos; a contagem é uma compilação de informações provenientes de diferentes agências e governadores.

A Asocapitales (Associação Colombiana de Capitais) reportou aproximadamente 180 mortes na manhã de terça – feira, mas esse número não inclui várias cidades que não são capitais departamentais.

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Atualmente, o total ultrapassa 200 mortos e mais de 1.500 feridos. O impacto do terremoto foi muito maior do que o registrado em desastres anteriores, causando danos generalizados em ao menos cinco departamentos. A Asocapitales informou que cinco capitais estão em “alerta vermelho”: Quibdó, Cali, Manizales, Pereira e Armenia.

Contudo, os danos também afetam áreas fora das capitais.

Estruturas danificadas e ações humanitárias

No Valle del Cauca, a governadora Dilian Francisca Toro relatou 38 mortes em cidades além de Cali. A logística é ainda mais complicada pela suspensão das operações em sete aeroportos; em alguns casos, as pistas estão inoperantes devido aos danos.

A associação também destacou que Cali e Pereira enfrentam situações críticas com estruturas colapsadas e pessoas presas nos escombros.

Até agora, as autoridades registraram 152 edificações desabadas e milhares de casas afetadas. Em Cali, 239 pessoas permanecem sob os escombros; o prefeito Alejandro Eder informou que 86 já foram resgatadas. Em Pereira, até a noite da segunda – feira (10), 53 pessoas estavam presas em 58 edificações desabadas.

A Cruz Vermelha ativou seu centro nacional de crise e está mobilizando equipes para as áreas mais afetadas como Antioquia, Quindío e Caldas. Um comunicado revelou o envio imediato de 30 membros para Chocó. Entretanto, as Nações Unidas ainda não receberam pedidos formais de assistência das autoridades colombianas; Jens Laerke, porta – voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, afirmou que estão preparados para oferecer ajuda assim que solicitado.

Tremores históricos e causas geológicas

O diretor – geral do Serviço Geológico da Colômbia, Julio Fierro Morales, explicou que o terremoto ocorrido na segunda – feira (10) foi resultado da dinâmica tectônica natural do oeste colombiano. Ele associou esses eventos à subducção da Placa de Nazca sob a Placa Sul – Americana.

Morales lembrou o terremoto histórico registrado em 23 de novembro de 1979 com magnitude 7,2, quando dezenas morreram e centenas ficaram feridas.

Gustavo Ortiz, doutor em Ciências Geológicas pelo Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina, corroborou essa visão ao afirmar que no oeste da América do Sul ocorre um processo contínuo onde uma placa tectônica afunda sob outra.