Colisão entre trens de alta velocidade na Espanha deixa ao menos 64 mortos perto de Toledo
Ao menos 64 pessoas morreram na quarta-feira (28) após a colisão entre dois trens de alta velocidade na Espanha, segundo autoridades regionais. É o segundo acidente com mortes em menos de um ano na linha que liga Madri à região da Andaluzia, no sul do país.
O trecho foi interditado após o choque, e equipes seguem na área. Os números de vítimas ainda podem mudar à medida que os dados forem confirmados.
Falha de sinalização precede colisão perto de Toledo
Uma pessoa informada sobre o caso afirmou que um trem expresso operado pela Iryo parou perto de Toledo por causa de uma falha de sinalização. A ADIF, responsável pela infraestrutura ferroviária, é quem determinou essa leitura do episódio.
Na sequência, um trem da Renfe bateu na composição parada, que seguia em alta velocidade. Vários vagões dos dois trens saíram dos trilhos.
A porta-voz do governo regional de Castilla-La Mancha, Esther Padilla, informou que 147 pessoas estavam no trem da Iryo, enquanto 397 viajavam no trem da Renfe.
Resgate retira feridos com helicóptero e macas
Um helicóptero de emergência tirou do local um passageiro ferido. Imagens da Reuters mostram policiais e equipes de resgate levando feridos em macas e vistoriando os trens envolvidos.
O choque deve reacender as cobranças sobre a infraestrutura ferroviária espanhola antes das eleições antecipadas, previstas para novembro.
Acidente de Adamuz deixou 46 pessoas mortas em janeiro
Em 18 de janeiro, um trem de alta velocidade descarrilou perto de Adamuz, na província de Córdoba, no sul do país, e colidiu com outro que circulava no sentido contrário. Mais de 120 pessoas ficaram feridas.
Um relatório preliminar da Guarda Civil espanhola, divulgado em fevereiro, apontou defeitos na via, no trilho ou em uma solda entre dois trechos como principal hipótese. Outras sete possibilidades seguem em aberto, e a investigação continua em andamento.
A tragédia abriu um debate sobre o volume de investimento na manutenção ferroviária nos últimos anos.
Relembre os acidentes ferroviários mais letais da Espanha
Em 2013, um trem de alta velocidade com oito vagões descarrilou em uma curva acentuada perto de Santiago de Compostela, no noroeste do país. O veículo bateu contra um muro de concreto e pegou fogo. O acidente deixou 80 mortos e 145 feridos.
Uma comissão do Ministério dos Transportes concluiu que o excesso de velocidade e a distração do maquinista, que atendia a uma ligação de um superior, causaram a tragédia. Uma associação de vítimas responsabilizou também o erro humano e os sistemas de segurança ferroviária.
Em 11 de março de 2004, dez bombas escondidas em mochilas explodiram em quatro trens suburbanos de Madri durante o horário de pico. Os ataques deixaram 193 pessoas mortas e milhares de feridos. Os responsáveis foram extremistas islâmicos contrários à participação da Espanha na Guerra do Iraque.
Em 1972, uma colisão frontal entre dois trens na linha entre Cádiz e Sevilha matou 86 pessoas perto da cidade de El Cuervo, no sul do país. Mais de 150 ficaram feridas. Segundo uma investigação da operadora estatal Renfe, um maquinista não parou diante de um sinal vermelho na estação.
Em 1970, uma colisão frontal na cidade de Urduliz, perto de Bilbao, no norte da Espanha, matou 33 pessoas. Um chefe de estação foi inicialmente responsabilizado, mas depois se descobriu que ele havia trabalhado em turnos de 16 horas nos quatro dias anteriores.
Em 1965, um trem que fazia a rota entre Madri e Barcelona pegou fogo em Grisén, perto de Zaragoza, no nordeste do país. A operadora informou na época que 30 pessoas morreram, mas relatos posteriores indicaram que o número poderia chegar a 80. Segundo essas versões, a liderança franquista teria tentado minimizar a dimensão da tragédia.
Em 1944, a colisão de três trens na região de El Bierzo, na província de León, é considerada um dos acidentes mais mortais da história ferroviária espanhola. A estimativa de 78 mortos ainda é debatida, em razão da censura durante a ditadura de Francisco Franco.
Um trem que seguia de Madri para A Coruña sofreu falha nos freios e bateu em uma locomotiva dentro de um túnel. Pouco depois, um terceiro trem entrou no mesmo túnel e atingiu os destroços.
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