Cinco adolescentes são apreendidos em Cabo de Santo Agostinho por estupro coletivo em escola

A apreensão dos adolescentes marca um passo importante nas investigações e destaca a necessidade de proteção e apoio às vítimas de violência sexual nas escolas.

Viatura da Polícia Civil de Pernambuco

Cinco adolescentes foram apreendidos no Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, sob suspeita de envolvimento em casos de estupro coletivo ocorridos em julho e agosto deste ano. O incidente mais recente se deu durante o intervalo das aulas no dia 3 de agosto, quando uma estudante relatou à direção da escola que havia sido vítima.

Uma segunda jovem também revelou à mãe ter sofrido um abuso similar no dia 4 de julho.

A Polícia Civil de Pernambuco informou que cumpriu os mandados de apreensão e os adolescentes foram encaminhados para a UNIAI (Unidade de Atendimento Inicial), onde permanecem à disposição do MPPE (Ministério Público de Pernambuco.

Atuação da prefeitura e acompanhamento do Ministério Público

A prefeitura local emitiu uma nota afirmando que acionou os serviços responsáveis para garantir acolhimento, proteção e acompanhamento às vítimas e suas famílias, oferecendo atendimento especializado nas áreas psicossocial e de assistência social.

Além disso, foi informado que os suspeitos foram afastados da rede municipal de ensino.

A gestão municipal declarou repúdio absoluto a qualquer forma de assédio ou violência, especialmente envolvendo crianças e adolescentes. A prefeitura garantiu que tomará medidas rigorosas sempre que houver ameaças à integridade dos estudantes.

Desde o dia 5 de agosto, o MPPE acompanha o caso por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania do Cabo de Santo Agostinho. O órgão afirma estar tomando as providências necessárias para dar sequência às investigações e mobilizar a rede de proteção em favor das vítimas.

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Detalhes dos relatos das vítimas

De acordo com informações da Polícia Militar, o 18º Batalhão foi chamado na manhã do dia 5 para investigar a situação na escola. A direção confirmou aos agentes que tinha conhecimento da denúncia feita por estudantes dois dias antes. Além disso, foi mencionado que outra aluna também teria relatado ter sofrido importunação sexual em outra ocasião.

A advogada Luanny Porto, responsável pela defesa das vítimas, afirmou que cinco estudantes da mesma turma estão envolvidos no caso. Segundo seu relato, uma adolescente de apenas 14 anos retornou à sala após a merenda no dia 3. Nesse momento, um grupo apagou as luzes e agrediu a jovem com uma “rasteira”, iniciando as agressões.

Ainda conforme a advogada, a vítima teria sido ameaçada para não contar o ocorrido à família. Após voltar para casa abatida e sem conseguir dormir direito, ela decidiu relatar o caso à direção da escola. Contudo, segundo a defesa, a gestão alegou que iria resolver a situação internamente.

Repercussão entre as famílias

No dia seguinte ao relato inicial, a adolescente enviou uma mensagem à mãe pedindo ajuda na escola. A mãe foi até lá e tomou conhecimento do ocorrido. De acordo com Luanny Porto, a diretora chamou atenção da vítima por ter contado o episódio à mãe.

Após o primeiro relato, outra adolescente também comunicou à mãe que havia sido vítima do mesmo tipo de abuso. As duas famílias registraram boletins de ocorrência e levaram as jovens ao IML (Instituto de Medicina Legal) para exames.

A advogada destacou que os cinco estudantes acusados pertencem à mesma turma escolar, que conta com cerca de 27 alunos. Embora uma das mães tenha solicitado transferência da filha para outra turma devido ao ocorrido, o pedido não foi atendido até o momento.

Diante dessa situação alarmante, Luanny mencionou que as famílias dos adolescentes acusados foram suspensas temporariamente mas solicitaram transferências para outras escolas ou turmas devido ao medo pelo retorno das filhas à unidade escolar. Até agora, elas não receberam apoio psicológico ou jurídico dos órgãos municipais competentes.