Cilia Flores pede prisão domiciliar em Nova York após problemas cardíacos na prisão

A defesa propõe vigilância armada, GPS e visitas restritas, mas o governo dos Estados Unidos se opõe ao pedido, que será analisado por Alvin K. Hellerstein.

10/09/2026 16:12

3 min

Ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e a primeira-dama, Cilia Flores
Ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e a primeira-dama, Cilia F...

Cilia Flores, esposa do ditador venezuelano Nicolás Maduro, pediu na quarta – feira (9) a um tribunal de Nova York que autorizasse sua prisão domiciliar por motivos de saúde. A defesa afirma que ela enfrenta problemas cardíacos e precisa se recuperar de possíveis procedimentos médicos fora do Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn.

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Flores foi detida junto com o marido em janeiro. Os advogados Mark E. Donnelly e Andres Sanchez solicitaram ao juiz federal Alvin K. Hellerstein que determinasse a transferência para uma residência particular, com vigilância armada 24 horas por dia, monitoramento por GPS, visitas limitadas e escuta telefônica.

Defesa cita episódio cardíaco e perda de peso

Na petição, os advogados dizem que o pedido foi discutido com o governo dos Estados Unidos, que se opôs à prisão domiciliar. A defesa argumenta que o Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn não oferece condições adequadas para a recuperação de Flores após eventuais procedimentos.

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O documento afirma que Flores era “fisicamente saudável e não tomava nenhum medicamento”, mas passou a usar quatro remédios desde a prisão. Em 29 de julho, ela teria sofrido “um grave episódio de 30 minutos”, marcado por intensa pressão no peito.

Especialistas consultados pela defesa não descartaram a possibilidade de um infarto leve.

Os advogados afirmam que ainda é necessário realizar um ecocardiograma para comparar a função cardíaca atual com exames anteriores. Também dizem que Flores precisa passar por ao menos um procedimento cardíaco invasivo, o cateterismo.

A petição identifica Cilia Adela Flores de Maduro como a primeira – dama da República Bolivariana da Venezuela e sustenta que ela deveria aguardar o julgamento em prisão domiciliar enquanto se recupera da cirurgia cardíaca invasiva.

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Condições no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn

Segundo o documento, as palpitações de Flores diminuíram, mas ela perdeu mais de 11 quilos desde a prisão. A detenta tentou ampliar a atividade física, porém ainda apresenta fraqueza, taquicardia ocasional, dificuldade para respirar, dor no peito e tonturas ocasionais.

A defesa relata que Flores dorme no máximo três ou quatro horas por dia e não encontra tempo para descansar. Ela divide o ambiente com mais de 40 outras detentas, em uma rotina descrita como barulhenta e sujeita a agitação e distúrbios ocasionais.

Os advogados também retomaram argumentos de imunidade internacional e afirmaram que Flores foi “sequestrada” e sofreu ferimentos nas mãos de seus captores. Para a defesa, ela não tem antecedentes criminais e as acusações não indicam que represente perigo para a comunidade americana.

Flores e Maduro respondem a acusações de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção, mas se declararam inocentes. O processo está em fase pré – julgamento, e uma audiência está marcada para 17 de novembro, quando serão apresentados ao juiz Hellerstein os argumentos sobre os pedidos para arquivar o caso.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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