Cientistas brasileiros identificam KP 47, vírus contra bactérias resistentes ligadas à sepse

Estudo publicado na BMC Microbiology aponta potencial do KP 47 como alternativa aos antibióticos, mas destaca ação limitada a duas das nove cepas avaliadas.

10/09/2026 19:54

3 min

O KP47 representa um gênero viral inteiramente novo.
O KP47 representa um gênero viral inteiramente novo.

Cientistas brasileiros do Cepid B 3 (Centro de Pesquisa em Biologia de Bactérias e Bacteriófagos) lideram, em colaboração internacional com a Universidade Metropolitana de Manchester, um estudo sobre o KP 47, vírus capaz de combater bactérias associadas à pneumonia e à sepse resistentes a antibióticos.

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A pesquisa foi publicada na revista científica BMC Microbiology.

O trabalho começou com a análise de uma amostra de esgoto não filtrado coletada em uma estação de tratamento de águas residuais na cidade de Manchester, no Reino Unido. Foi nesse material que os pesquisadores identificaram o bacteriófago KP 47, um vírus que infecta e destrói bactérias de forma específica.

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Vírus age contra bactérias resistentes

De acordo com o estudo, a OMS (Organização Mundial da Saúde) considera a resistência das bactérias aos remédios uma ameaça global à saúde. Bactérias do grupo Klebsiella pneumoniae provocam infecções graves em hospitais e também na comunidade.

O KP 47 pertence a um gênero viral inteiramente novo e consegue infectar bactérias do complexo Klebsiella pneumoniae. Entre as espécies atingidas estão Klebsiella pneumoniae e Klebsiella quasipneumoniae subsp. similipneumoniae.

Essas bactérias estão relacionadas a pneumonia adquirida na comunidade, sepse neonatal, infecções do trato urinário e infecções hospitalares oportunistas. Como desenvolveram resistência até aos antibióticos mais fortes, elas levaram os cientistas a buscar alternativas para o combate às infecções.

Como funciona o KP47

O vírus se fixa a 90% das bactérias em apenas 6 minutos. Ele também destrói as células em velocidade superior à de outros vírus semelhantes, característica ligada ao seu comportamento estritamente lítico: o KP 47 entra na bactéria, se multiplica e faz a célula bacteriana estourar.

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Em uma das cepas analisadas, a KH 11, o vírus apresentou eficiência de proliferação de 340%. O KP 47, porém, infectou 2 das 9 cepas avaliadas. Por isso, os pesquisadores apontaram que a estratégia clínica mais adequada deve combinar o vírus com outros em coquetéis fágicos, ampliando a proteção contra diferentes variações da bactéria.

Na quantidade adequada, o KP 47 impede a multiplicação bacteriana por até 16 horas. O teste de DNA confirmou que o vírus não possui genes de resistência a antibióticos nem elementos nocivos.

Próximas etapas da pesquisa

O vírus possui genes para produzir a enzima endolisina e apresenta indícios de depolimerases. Essas proteínas atuam como “tesouras biológicas”: perfuram a parede das bactérias e dissolvem biofilmes, camada de proteção criada pelos microrganismos para se esconder dos remédios.

Para transformar o KP 47 em um tratamento acessível a pacientes, por meio da terapia fágica, os pesquisadores ainda precisam testar a eficiência das enzimas contra biofilmes. Também serão necessários testes de infecção em organismos vivos (in vivo.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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