Cientistas criam primeiros cães sem Can f 1, proteína ligada à alergia

Testes iniciais em Alfie e Bailey não detectaram Can f 1, mas a eficácia contra alergias ainda exige estudos maiores e acompanhamento.

09/09/2026 13:51

2 min

Alfie e Bailey nasceram em 2024 e foram os primeiros cachorros hipoalergênicos do mundo
Alfie e Bailey nasceram em 2024 e foram os primeiros cachorros h...

Cientistas criaram os primeiros cães geneticamente modificados para não produzir a principal proteína associada à alergia aos animais. O estudo foi conduzido pela Kindred Companion Sciences e publicado na revista científica The CRISPR Journal.

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As duas cachorras, da raça beagle, nasceram em setembro de 2024, em Nova York. Chamadas Alfie e Bailey, elas foram desenvolvidas para eliminar a produção da proteína alérgena canina Can f 1, apontada como um dos fatores relacionados às reações de pessoas alérgicas.

Como os cães foram modificados

A alergia a cães atinge cerca de 15% da população e é um fator de risco para rinite alérgica e asma. A proposta da pesquisa é desenvolver animais que possam ser mais adequados para famílias com pessoas alérgicas.

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Para alterar geneticamente os animais, os pesquisadores utilizaram a técnica CRISPR – Cas 9. O método combina a enzima de corte Cas 9 com um RNA guia, que orienta a sequência genética a ser modificada.

Segundo os pesquisadores, a proteína Can f 1 está presente principalmente na saliva dos cães. A substância também pode chegar ao pelo e à pele dos animais, ampliando as possibilidades de contato com pessoas sensibilizadas.

Resultados dos testes com Alfie e Bailey

A Kindred Companion Sciences analisou amostras de saliva e de pelos dos dois animais. Os exames não detectaram a proteína Can f 1 na saliva nem nas amostras de pelos e caspa dos cães geneticamente modificados.

O estudo também avaliou se a ausência da proteína poderia reduzir uma reação alérgica. Para isso, os pesquisadores usaram extratos dos animais em um teste cutâneo feito em um adulto sensibilizado à Can f 1.

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O participante reagiu aos extratos de cães não modificados. Já os materiais coletados de Alfie e Bailey não provocaram reação detectável no teste.

A Kindred afirma que esses resultados, por si só, não significam que os animais sejam completamente . O teste foi realizado em apenas uma pessoa, e as alergias a cães podem estar relacionadas a diferentes proteínas.

Pesquisa ainda precisa de novos estudos

Os autores classificam o trabalho como um teste inicial. Eles dizem que ainda são necessárias pesquisas maiores para avaliar a segurança da alteração genética, os efeitos ao longo da vida dos animais e a resposta de diferentes pessoas alérgicas.

Segundo a Kindred, o objetivo é permitir que mais pessoas possam terapesar das alergias. A empresa afirma que está desenvolvendo uma nova geração de animais e informa que o pedido de patente para a alteração genética está pendente.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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