Chuvas atrasam moagem de cana e elevam preço do etanol em até 2,63% em SP

Os preços do etanol dispararam nas usinas de São Paulo na última semana, impulsionados por chuvas que atrasam a moagem da cana e geram incertezas sobre a safra 2026/27. A avaliação é do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), divulgada nesta segunda – feira (14.
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O movimento de alta, que já vinha sendo observado desde o fim de julho no principal estado produtor e consumidor do país, se intensificou. Além do clima, o mercado também sente os efeitos de uma quebra de produção na Europa e em países da Ásia.
Chuvas travam moagem e preocupam agentes
O excesso de chuva nas regiões canavieiras tem paralisado as atividades de colheita e processamento. “Com previsão de mais chuvas para esta semana, agentes estão preocupados sobre quanto de cana será moída até o fim da safra e quanto de produto estará em estoque nos próximos meses”, afirmou o Cepea, em nota.
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Dados da LSEG indicam que partes de São Paulo, Minas Gerais e Paraná devem registrar volumes de chuva próximos ou acima da média histórica nos próximos dias. Os acumulados, no entanto, devem ficar abaixo dos 40 a 60 milímetros registrados na semana passada em boa parte das áreas produtoras.
Indicadores do etanol sobem forte
Entre os dias 8 e 11 de setembro, o indicador Cepea Esalq do etanol hidratado — usado diretamente nos carros — foi cotado na usina paulista, sem impostos, a uma média de R 2,4622 por litro. O valor representa um avanço de 2,63% em relação à semana anterior.
Já o etanol anidro, que é misturado à gasolina, fechou o período a R 2,8475 por litro (sem PISCofins), uma elevação de 2,32% na mesma comparação. Para se ter ideia, no fim de julho o hidratado era negociado a cerca de R 2/litro, enquanto o anidro girava em torno de R 2,30/litro.
Medida provisória trava comercialização
O Cepea também destacou o impacto da medida provisória do governo federal que zerou as alíquotas de PISPasep e Cofins do etanol hidratado até 9 de outubro. A desoneração, anunciada em conjunto com a da gasolina, travou o mercado, segundo o centro de pesquisas.
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“Após essa notícia, o mercado de etanol ficou praticamente travado. Produtores tinham a intenção de manter os preços ofertados, sem ceder mesmo após o desconto dos tributos”, apontou o Cepea. Do lado oposto, os compradores tentaram oferecer valores mais baixos, já que o imposto não seria mais recolhido pela usina.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



