China impõe cota de importação de carne bovina e afeta exportações brasileiras desde janeiro de 2026

A cota imposta pela China deve reduzir drasticamente as exportações brasileiras de carne bovina, afetando preços e preocupações no setor.

Carne bovina in natura para exportação

A medida de salvaguarda adotada pela China, que visa proteger a produção local de carne bovina, começa a impactar o setor brasileiro. Desde 1º de janeiro de 2026, o preenchimento da cota de exportação já diminuiu o ritmo dos frigoríficos, pressionou os preços da arroba do boi gordo e levantou preocupações entre exportadores e pecuaristas.

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Essa iniciativa foi anunciada pelo governo chinês em dezembro de 2025 como uma forma de resguardar os pecuaristas e a indústria nacional diante do aumento das importações. Na prática, essa ação se alinha à tendência global de endurecimento das barreiras comerciais em várias economias.

Enquanto a União Europeia impõe novas exigências regulatórias para produtos importados, os Estados Unidos aumentam tarifas sobre seus parceiros comerciais para proteger sua indústria.

Detalhes da nova política chinesa

A nova política estabelece um limite máximo de carne bovina que pode ser importada pela China com a tarifa regular, que é de 12%. Após atingir esse limite de 1,106 milhão de toneladas para o Brasil, uma sobretaxa adicional de 55% entra em vigor, elevando a tributação total para impressionantes 67%.

Este volume é inferior ao fluxo já estabelecido entre Brasil e China: dados da Comex Stat mostram que em 2025, o Brasil enviou cerca de 1,68 milhão de toneladas ao mercado chinês, um número aproximadamente 35% maior do que a nova cota.

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Maurício de Palma Nogueira, diretor da Athenagro, comentou sobre as implicações dessa decisão: “A necessidade de proteger a indústria local levou à adoção dessas medidas. O Brasil recebeu a maior cota simplesmente por ser o principal fornecedor.” Ele também alertou que as exportações acima desse limite enfrentam uma tributação que praticamente inviabiliza a competitividade brasileira no mercado chinês.

Expectativas para as exportações brasileiras

Felippe Serigatti, pesquisador do FGV Agro, aponta que uma desaceleração significativa nas exportações brasileiras para a China é esperada no segundo semestre. Apesar disso, ele acredita que alguns embarques ainda ocorrerão devido a contratos já firmados. “Cortes com maior valor agregado podem continuar competitivos mesmo com as tarifas adicionais”, ressaltou.

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A expectativa é que as compras se concentrem no primeiro semestre, quando há espaço dentro da cota. Após esse período, os embarques devem desacelerar assim que o limite for atingido. Contudo, especialistas afirmam que é improvável que a China reduza significativamente suas compras de carne bovina brasileira devido à sua dependência das importações para suprir a demanda interna crescente.

Impactos no mercado interno

De acordo com Maurício de Palma Nogueira, embora a China tenha recuperado parte do seu rebanho suíno após os efeitos da peste suína africana em 2020, isso não se aplica ao mercado de carne bovina. “A produção local ainda é insuficiente diante do aumento do consumo”, explica.

Essa situação reflete um esforço mais amplo da China para reduzir sua dependência externa em alimentos estratégicos e garantir segurança alimentar amid conflitos internacionais.

O levantamento da StoneX indica que até o final de junho cerca de 98,5% do volume autorizado já havia sido comprometido nos embarques. Frigoríficos começaram a reduzir suas compras e produção destinada ao mercado chinês como uma medida preventiva.

Para Nogueira, essa cautela é essencial: “Os frigoríficos estão ajustando os abates para não produzir carne destinada à exportação ou para tentar minimizar custos.”

Perspectivas futuras na pecuária brasileira

No cenário interno brasileiro, Serigatti acredita que os impactos das novas tarifas serão graduais. Embora possa haver pressão sobre os preços no curto prazo, ele considera improvável uma queda significativa nos valores da carne ao consumidor final. “O Brasil pode redirecionar parte da produção para outros mercados”, afirmou.

Entretanto, nenhum país tem capacidade suficiente para absorver os volumes previamente comprados pela China. Além disso, o ciclo pecuário está mostrando uma tendência à retenção de fêmeas, reduzindo assim a oferta disponível para abate e ajudando na sustentação dos preços.

Condições no varejo e previsões

No mercado físico brasileiro, informações da Scot Consultoria indicam uma perda recente na força dos preços da arroba do boi gordo desde junho. As expectativas são de que os preços fiquem entre R320 e R 330 durante julho e agosto. Entretanto, especialistas acreditam que isso não resultará numa queda significativa nos preços ao consumidor final devido ao consumo interno firme e à oferta limitada.

Felipe Fabbri destaca que promoções específicas podem ocorrer em alguns cortes devido à situação atual do mercado externo; no entanto, não se espera uma mudança estrutural nos preços gerais da carne. Para Nogueira, reduzir as vendas externas pode levar à desmotivação dos produtores e comprometer investimentos futuros na pecuária.