China impõe cota de 1,106 milhão de toneladas para carne bovina do Brasil com tarifa de 12%

A nova cota chinesa de 1,106 milhão de toneladas para carne bovina do Brasil pode reduzir drasticamente as exportações brasileiras, impactando o setor pecuário.

14/07/2026 05:18

4 min

Carne bovina in natura para exportação
Carne bovina in natura para exportação

A China adotou uma nova medida de salvaguarda para proteger sua produção local de carne bovina, o que já começa a impactar o setor no Brasil. Desde 1º de janeiro deste ano, essa política entrou em vigor após ser anunciada pelo governo chinês em dezembro de 2025.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O objetivo é resguardar os pecuaristas e a indústria nacional frente ao aumento das importações.

A iniciativa reflete uma tendência global de intensificação das barreiras comerciais. Enquanto a União Europeia tem aumentado suas exigências regulatórias, os Estados Unidos têm aplicado tarifas sobre produtos importados para proteger sua própria indústria.

Detalhes da cota chinesa

O novo mecanismo estabelece um limite máximo de carne que pode ser importada pela China com a tarifa regular. Para o Brasil, essa cota foi fixada em 1,106 milhão de toneladas, com uma tarifa de importação de 12%. Se esse volume for ultrapassado, incide uma sobretaxa adicional de 55%, elevando a carga tributária total para 67%.

Esse limite é inferior ao volume normalmente exportado pelo Brasil. Dados da Comex Stat mostram que em 2025, o país enviou cerca de 1,68 milhão de toneladas para a China, um número 35% maior do que o permitido pela nova regra.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Maurício de Palma Nogueira, diretor da Athenagro, explicou que a decisão da China visa fortalecer sua cadeia pecuária interna. “Eles estabeleceram essas medidas para proteger a indústria local e aplicaram cotas para todos os países”, afirmou.

Por ser o maior fornecedor à China, o Brasil recebeu a maior cota. Contudo, isso significa que qualquer quantidade acima desse limite enfrentará uma tributação quase inviável.

Leia também

Tendências no mercado e previsões

Felippe Serigatti, pesquisador do FGV Agro, acredita que as exportações brasileiras para a China devem desacelerar significativamente no segundo semestre. Embora alguns embarques ainda ocorram devido a contratos já firmados e cortes mais valorizados possam manter alguma competitividade, ele observa que isso será uma exceção.

O comportamento do mercado chinês deve mudar ao longo do ano. As compras devem se concentrar no primeiro semestre, quando ainda há espaço na cota. Assim que o limite for atingido, os embarques deverão perder ritmo.

Apesar das novas tarifas, especialistas acreditam que as compras da China não devem cair drasticamente. O país ainda precisa importar carne bovina para atender à demanda interna crescente. Nogueira ressalta que embora a China tenha recuperado parte de seu rebanho suíno após problemas anteriores, enfrenta desafios semelhantes na produção bovina.

Efeitos no setor brasileiro

De acordo com dados da StoneX, cerca de 98,5% da cota autorizada já havia sido utilizada até junho. Isso levou frigoríficos brasileiros a desacelerar as compras e reduzir a produção voltada para o mercado chinês. Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, destacou uma discrepância entre os números oficiais da China e as percepções do mercado local sobre o preenchimento das cotas.

Diante desse cenário desafiador, algumas indústrias já anunciaram férias coletivas e diminuição dos turnos produtivos como estratégia preventiva. Nogueira acredita que esses movimentos visam evitar excessos na produção destinada à exportação ou minimizar custos.

Perspectivas futuras para preços

No Brasil, Serigatti sugere que os impactos serão mais graduais do que muitos esperam. Embora haja potencial para pressão nos preços em curto prazo, ele considera improvável uma queda significativa nos valores ao consumidor final. O redirecionamento da produção pode ajudar a estabilizar os preços devido à retenção de fêmeas no ciclo pecuário.

A média paga pela China por tonelada de carne bovina brasileira em junho foi de US 6.751,13; se forem aplicadas as tarifas adicionais de 55%, esse valor saltaria para US 10.464,26 por tonelada.

No mercado físico brasileiro, observou – se uma perda na força da arroba do boi gordo desde junho e as projeções indicam que os preços devem permanecer entre R320 e R 330 durante julho e agosto.

Impacto no consumidor final

Ainda que parte da carne destinada à exportação possa permanecer no mercado interno devido às novas cotas chinesas, especialistas garantem que isso não deve gerar reduções significativas nos preços ao consumidor. O consumo interno permanece robusto e a oferta disponível não é suficiente para provocar grandes quedas nos valores.

Fabbri sugere que ajustes pontuais podem ocorrer através de promoções em alguns cortes específicos, mas sem mudanças estruturais nos preços gerais da carne bovina. Nogueira adverte que pensar que dificuldades nas exportações beneficiam automaticamente os consumidores pode levar a distorções nas análises do mercado.

A dinâmica do mercado de carne bovina opera em ciclos; assim uma queda nas vendas externas poderia aliviar os preços temporariamente mas comprometeria investimentos futuros na pecuária e reduziria oferta posteriormente.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!