Cetra usa fantoche e máscara para que coruja bebê não crie vínculo com humanos e possa ser solta
A publicação é do Cetra (Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens) da UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia), que usou a cena para explicar um princípio pouco conhecido no cuidado com animais silvestres: o anti-imprinting.
No registro, o bebê ainda não tem penas e fica dentro de um pote de plástico. Ele recebe comida de uma seringa segurada por uma mão coberta pelo fantoche, enquanto a enfermeira humana usa uma máscara que esconde o rosto.
O que é imprinting e como ele funciona
O imprinting, também chamado de “estampagem” ou “cunhagem”, acontece logo nos primeiros dias de vida de um animal. Ele responde à presença de uma figura materna ou paterna e foi descrito pela primeira vez pelo etólogo Konrad Lorenz, ao observar filhotes de gansos e patos recém-nascidos.
Ao sair do ovo, esses bebês seguiam instintivamente o primeiro objeto que viam. Esse objeto podia ser a mãe, outro animal ou até algo inanimado. Pelo mesmo mecanismo, os filhotes aprendem comportamentos essenciais para sobreviver, copiando o que os mais velhos fazem e absorvendo informações importantes.
Quando o anti-imprinting entra em ação
O problema surge quando os animais são separados dos pais ao nascer. Nesse caso, o imprinting pode fixar-se em um alvo que não tem esses aprendizados a oferecer. É aí que entra o anti-imprinting, uma forma de evitar que o filhote crie vínculo com a pessoa que cuida dele.
No caso do Cetra, o filhote é uma coruja-da-igreja, também conhecida como suindara. Ele é alimentado com uma luva de fantoche desenhada para parecer uma coruja adulta. O rosto da cuidadora também fica oculto, para que a atenção do bebê não se volte para a figura humana.
Por que o fantoche evita apego aos humanos
A tática imita a forma como a mãe coruja oferece o alimento e mantém a distância natural entre as espécies. Com isso, o animal preserva os instintos de proteção e não desenvolve confiança excessiva nos humanos, o que atrapalharia uma eventual soltura.
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“Cada detalhe importa para preservar o comportamento natural e garantir uma soltura com sucesso no futuro”, diz a publicação do Cetra.
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Redação Variedades
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