Cerro de Porongos: Tombamento avança e revela memórias da Guerra dos Farrapos

Processo de Tombamento do Cerro de Porongos Avança
Um local que foi palco do massacre de soldados negros no final da Guerra dos Farrapos, em 1844, iniciou seu pedido de tombamento há 20 anos e está prestes a ser concluído. O Cerro de Porongos, situado na região de Pinheiro Machado (RS), recebeu a visita do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) no dia 23 de abril de 2026, com o objetivo de coletar informações para a finalização do parecer técnico necessário para o tombamento.
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O historiador do Iphan, Rafael Klein, destaca a relevância de Porongos para a identidade do Rio Grande do Sul, enfatizando sua conexão com um episódio significativo do conflito, que é uma das principais fontes de reconhecimento da população gaúcha.
Etapas do Processo de Tombamento
Após a conclusão da fase de instrução técnica, o processo segue para análise no Depam (Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização), onde será apreciado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, a instância decisória máxima do Iphan.
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Com a aprovação do conselho, os bens tombados serão registrados em um dos Livros Tombo.
O Instituto informa que, apesar da existência de bens tombados relacionados à temática, ainda não há patrimônios reconhecidos pelo Iphan no estado, o que torna essa decisão inédita.
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Importância Histórica do Local
De acordo com o comunicado do Iphan, a visita foi fundamental para a coleta de dados sobre a área e seu entorno, essenciais para a elaboração de diretrizes de gestão. Na solicitação feita em 2006 pelo então ministro da Cultura, Gilberto Gil, Porongos é descrito como uma “paisagem de memórias, lugar de muitas histórias”.
A área, localizada na zona rural de Pinheiro Machado, foi marcada por um episódio trágico na história do Rio Grande do Sul, onde cerca de 100 soldados negros foram mortos em uma emboscada das tropas imperiais. A Guerra dos Farrapos foi um conflito entre a elite gaúcha que desejava se separar do governo imperial de Dom Pedro II.
A chacina resultou no extermínio do pelotão dos Lanceiros Negros, composto por pessoas escravizadas que lutavam ao lado dos farrapos, esperando conquistar a liberdade como recompensa por sua participação na batalha. Há versões que indicam que os lanceiros foram entregues ao império pelos próprios rebeldes, mas a versão oficial permanece controversa.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



